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quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Rod Tigre: "Os primeiros super-heróis do mundo foram criados no Brasil"


Revista Tico-Tico, de 1905 a 1962.

"Os primeiros super-heróis do mundo foram criados no Brasil na revista em quadrinhos Tico-Tico, podendo ser destacados principalmente 3:

Oscar: criado em 1906 por Gustavo Barroso, o super-herói possuia além de um uniforme um anel que lhe dava super-poderes, com a bandeira do Brasil talhada, um amigo que era um sapo-humanizado, e uma irmã, Borboleta, que também possuia super-poderes (asas de borboleta que lhe permitiam voar).

Dr. Alpha: criado por Osvaldo Silva em 1905 era um astronauta brasileiro loiro (tal qual Flash Gordon, Buck Rogers e Brick Bradford) que realizava viagens interplanetárias com uma nave construída por ele próprio, indo para Lua e Marte. Seu uniforme lembra muito o do Homem-Aranha.

Max Miller: criado por A. Rocha em 1913 era um garoto brasileiro filho de alemães que vivia aventuras pelo mundo, em certa altura da história, adquire um espelho mágico que lhe confere super-poderes. Também se torna mestre em lutas, armas e combates, se aperfeiçoando até chegar a idade adulta e ingressar no exercito alemão quando deixa o Brasil."

Veja a matéria completa no blog do Rod Tigre: http://bandasetevidas.blogspot.com.br/2010/11/tico-na-fazenda.html

Para os poucos que ainda não conhecem, o vocalista da banda 7 Vidas Rod (Gonzalez) Tigre foi colunista da revista Mundo dos Super-Heróis, publicação de Editora Europa, além de criador do personagem Blenq, cuja revista é publicada pela Júpiter II.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Colonização Cultural x Liberdade Criativa


Bigorna suspende atividades
por Marcio Baraldi em 29/05/2011
 “Você, brasileiro talentoso, desenha os personagens dos americanos, recebe um  salário por isso, e depois eles exportam esses personagens para o Brasil, onde arrecadam milhares de vezes mais do que o valor do seu salário. Esse é o mecanismo de uma colonização cultural e econômica que já dura séculos (no caso dos quadrinhos, décadas) e contra a qual o brasileiro não se esforça minimamente para lutar.”

Comentário
por Emir Ribeiro em 2/11/2011
“Apesar das dificuldades, fico muitíssimo mais realizado em fazer o trabalho autoral, para um público que o aprecia, ao invés do ótimo pagamento recebido para desenhar os tradicionais e poderosos super-heróis estadunidenses. Desenhá-los nunca foi minha meta, mas, foi uma forma de ficar mais conhecido e ganhar um bom dinheiro. Mas, trabalhar para as Marvel, DC e Images da vida não dava a liberdade de criar personagens, bolar histórias e nem inovar ou ousar. Não passava de um ilustrador/arte-finalista.
No trabalho autoral, sou um quadrinhista completo, com liberdade irrestrita, sem editor chato para ficar dando pitaco ou querendo que eu faça a Velta com peitos gigantescos de vaca leiteira.
Enfim, o dinheiro é bom, mas, a realização profissional é ainda melhor.”

sábado, 19 de novembro de 2011

Recortes sobre distribuição e produção de quadrinhos

Entrevista: Editora Brainstore
Por Universo HQ – sem data
http://www.universohq.com/quadrinhos/editores_brainstore.cfm
“Eloyr Pacheco: Um dos maiores problemas a ser enfrentado é a dimensão continental do nosso país. Fazer as revistas chegarem em todos os rincões do Brasil é algo bastante trabalhoso, difícil. Um maior número de lojas especializadas e um maior investimento dos distribuidores regionais poderia ser bastante benéfico para a área dos quadrinhos, que hoje trabalha com pequenas tiragens. O sistema das grandes distribuidoras para estas pequenas tiragens, infelizmente, não funciona satisfatoriamente.”

Entrevista: Gedeone Malagola
Por Rod Gonzales em 08/09/2010
http://www.bigorna.net/index.php?secao=entrevistas&id=1283977244
“ROD: O sr. ainda acredita que os super-heróis brasileiros tem chance de conquistar o Brasil?
GEDEONE: Eu acho que não. Não é nem questão do herói em si, é questão do poder aquisitivo do povo mesmo. O povo não tem dinheiro pra comprar gibi. Recentemente saiu o livro "100 anos do Tico-Tico", ao preço de 130 reais. Não dá pra comprar! E com o gibi barato acontece outro problema, o muito barato o jornaleiro não quer pegar porque ganha pouco. O jornaleiro fala, "Ah, vou pegar isso aqui para ganhar 10 centavos, 20. Não quero não"! Tem isso também. A distribuição no quadrinho na Brasil é um problema. O maior problema é a distribuição!”


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Arquivos Incríveis: Duduca e Jambolão, mais uma triste derrota para o quadrinho brasileiro
Por João Antonio Buhrer em 04/02/2011
http://www.bigorna.net/index.php?secao=arquivosincriveis&id=1297681796
"Mais uma gibi de ótima qualidade, que atendia aos padrões internacionais da época, e que mesmo assim teve vida curta. A editora gastava uma nota para produzir o gibi, pagava desenhistas, roteiristas, etc, enquanto as concorrentes publicavam Disneys e Pernalongas com custo praticamente zero."

Entrevistas: Quadrinista OFELIANO DE ALMEIDA
Por José Carlos Neves
http://www.alanmooresenhordocaos.hpg.ig.com.br/entrevistas184.htm
"O problema é o despreparo das grandes editoras, que se negam a investir na formação de equipes de produção, como o fazem as estrangeiras. Nossas editoras se acomodam no sucesso fácil, só publicando o que já fez sucesso lá fora, já tem mídia feita, merchandising e tudo."

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Custo Brasil? Lucro Brasil!!!

"o Brasil tem um custo de vida muito alto."

"- o custo de vida do brasileiro é o mais caro do mundo."

"É usual, até, a fábrica lançar o carro a um preço acima do pretendido, para tentar posicionar o produto num patamar mais alto. Se colar, colou. "

"A margem de lucro é três vezes maior que em outros países"

"O que faz a fábrica ter um lucro maior no Brasil do que no México, segundo consultor, é o fato do México ter um mercado mais competitivo."

A matéria fala de carros, mas pode ser pensada para tudo o que consumimos neste país. Vale a pena ser lida: http://www.webmotors.com.br/wmpublicador/yahooNoticiaConteudo.vxlpub?hnid=45643

Pelo visto bancamos do nosso bolso o lucro do mercado de outras bandas. No Brasil não há competitividade, e isso é ruim para o consumidor. Leia a matéria, reflita e comente!

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Os Deuses Astronautas e a Ficção Científica - Parte III

Reproduzo abaixo a segunda parte de um artigo premiado e publicado no extinto blog http://ahoradosassassinos.blogspot.com. O autor do blog se identificava como "Velho da Montanha", e era fã de Alan Moore. Imagino que o "Velho da Montanha" não se importe da sua tradução aparecer aqui.

O texto foi considerado Melhor Ensaio de Não-Ficção pela premiação Ignotus Winners, em 2009. Título original: “Los dioses astronautas en la ciencia ficción”, (“Astronaut gods in science fiction”), por Mario Moreno Cortina.
Página original: http://www.bemonline.com/portal/index.php/artlos-fondo-36/251-los-dioses-astronautas-en-la-cf

Link com a premiação: http://www.sfawardswatch.com/?p=2454
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Escrito por Mario Moreno Cortina

Traduzido do espanhol por Velho da Montanha


E o culpado é…

H. P. Lovecraft, o elo perdido


Vimos como a tradição esotérica dos deuses astronautas evoluiu a partir da Teosofia de H. P. Blavatsky, que por sua vez reinterpretava as ideias gnósticas que tem acompanhado o pensamento mágico ocidental há milênios, com o acréscimo da figura dos extraterrestres que visitavam nosso planeta e o culto OVNI que nasceu em 1947 com o famoso avistamento do aviador Kenneth Arnoldem Mount Rainier (Washington). Também vimos como as teorias dos autores danikeistas tem influenciado a literatura e o cinema de Ficção Científica de forma direta ou indireta.

Esta é, basicamente, a teoria de Stoczkowski bem resumida. Mesmo que eu esteja de acordo com suas linhas gerais, creio que podemos apontar alguns problemas. Em primeiro lugar, acho que o nascimento e evolução dos fenômenos culturais é sempre um assunto complexo e que tecer hipóteses genéricas excessivamente lineares, mesmo que ajude a explicar um fenômeno como é o dos deuses astronautas, pode fazer perder de vista a realidade das evidências. Em segundo lugar, Stoczkowskiconfessa ser absolutamente alheio tanto a Ficção Científica quanto as Paraciências, pelas quais parece nunca ter sentido uma grande atração. Por isso é possível que lhe escape a essência particular de ambas. Guilherme de Baskerville ensinava a Adso [personagens de O Nome da Rosa, de Humberto Eco - N.T] como as heresias funcionavam como vasos comunicantes que intercambiavam conceitos, ideias, esquemas e com frequência os próprios fiéis. Um investigador da Ciência oficial, comoWiktor Stoczkowski, está acostumado a que cada especialista se dedique a um determinado campo e raramente saia dele. Contudo, os chamados investigadores do paranormal trabalham mais como os hereges a que aludia Guilherme de Baskerville: pegam daquí e dalí, hoje poderes extrasensoriais, amanhã OVNIS, e o antigo astronauta de Palenque. Por sua vez, esse confuso amálgama que chamamos Esoterismo tem uma extranha relação de simbiose com a literatura de Ficção Científica. Relação que, como temos visto, ocorre nos dois sentidos. Nós fãs ficamos enojados quando se colocaRobert A. Heinlein e Ursula K. LeGuin junto com Juan José Benítez e Erich von Däniken na mesma estante com o rótulo “Ficção Científica”, e eu sou dos que mais se enoja. Porém é certo que os livreiros agem seguindo uma intuição que não está de todo equivocada. Porque não são áreas absolutamente diferentes, trata-se de ingredientes que foram jogados em uma mesma panela ―como vimos no caso das revistas Astouding e Planeta― e que muitas vezes tem produzido os pratos mais bizarros (como a Igreja da Cientologia e o Movimento Raeliano).

Essa relação simbiótica, como vimos, existiu desde os primórdios do gênero, quando este não havia ainda nem recebido seu controvertido nome. Não seria surpreendente que, antes que G. H. Williamson publicasse suas obras, a síntese já tivesse ocorrido. Isso, aparentemente, daria a razão aos que defendem a tese clássica sobre os deuses astronautas, isto é, que se trata de um fenômeno nascido no âmbito da Ficção Científica que se tornou um culto esotérico.

É exatamente isso o que defende o norteamericano Jason Colavito, autor de um livro com título sugestivo e revelador: The Cult of Alien Gods: H.P. Lovecraft And Extraterrestial Pop Culture[25]. Colavito realiza em seu livro um trabalho similar ao de Stoczkowski, só que as influências dos diferentes autores esotéricos que se ocupam dos astronautas pré-históricos o levam até Howard Phillis Lovecraft (1890-1937).

Em um gênero literário tão cheio de Nerds como é o fantástico ―Alfred Bester dizia que ter um parafuso a menos era o preço da genialidade ―, Lovecraft poderia ser considerado como raro entre os raros. L. Sprague de Camp, grande fã e leitor seu, o pinta em sua famosa biografía[26] com tintas que nos fazem pensar em um aspecto doentio. Hipôcondriaco, nazista, racista, classista, preguiçoso… de Camp não economiza adjetivos para definir Lovecraft. É certo que não me interessa nenhuma dessas características, me interessa uma que só na boca de um americano como de Campsoa como um insulto: ateu. Lovecraft não acreditava em Deus, em nenhum Deus, era um materialista convicto. E como materialista converteu o velho conto gótico a parâmetros modernos, reinserindo-lhe na moderna literatura fantástica, precisamente em um momento em que a Ficção Científica estava se transformando em um gênero popular.

Foto: H. P. Lovecraft (1890 - 1937)

Lovecraft é conhecido principalmente por ser o criador e inspirador dos chamados Mitos de Cthulhu, um complexo panteão de criaturas alienígenas que ameaçam o ser humano de pavorosos espaços exteriores. O Chamado de Cthulhu, de 1926, é o primeiro conto do ciclo escrito por Lovecraft. É nele que Colavito situa o nascimento da teoria dos deuses astronautas. O conto, uma pequena jóia da moderna literatura de horror, se concentra na descoberta por um pesquisador de um antigo culto a uma misteriosa deidade chamada Cthulhu, metade polvo, metade figura antropóide. Com a morte do emérito professor Angell, seu sobrinho encontra nos espólios do ancião um pequeno baixo relevo de Cthulhu que lhe causa uma preocupação incomum[27]. A partir do objeto e seguindo o rastro dos estudos de seu tio, chega ao conhecimento da extraordinária antiguidade do culto de Cthulhu.

O velho Castro recordava fragmentos de uma terrível lenda que fazia empalidecer as especulações dos teósofos[28] e deixavam o homem e o mundo reduzidos a algo de criação recente e efêmera existência. Em eras remotas a Terra foi dominada por outros Seres que viviam em grandes cidades. Segundo Castro […] ainda se poderiam encontrar seus vestígios em pedras ciclópicas em algum lugar das ilhas do Pacífico. Todos os Seres morreram eras antes do homem aparecer sobre a Terra. […] Naturalmente haviam vindo das estrelas e trazido consigo suas imagems[29].

É aqui onde, segundo Colavito, acende-se a luz, exatamente neste parágrafo. É certo que Lovecraftnão inventou a ficção sobre civilizações perdidas mais antigas que a história conhecida; temos a série de Ela de H. Rider Haggard (1856 - 1925)[30], a rainha imortal de uma civilização várias vezes milenária. Ou a magnífica The Moon Pool de 1919, de Abraham Merrit (1884 - 1943), que tem certa afinidade estética e conceitual com as narrativas lovecraftianas. Como vimos, a própria Blavatskyhavia especulado amplamente sobre a existência de civilizações e raças anteriores a Humana que se teriam desenvolvido muito antes que esta aparecesse sobre a Terra. No entanto, afirma Colavito,Lovecraft foi o primeiro a introduzir alienígenas na equação.

Cinco anos depois de escrever O Chamado de Cthulhu, Lovecraft escreveria aquela que todo mundo reconhece, quase sem exceção, como sua obra prima: Nas Montanhas da Loucura (At the Mountains of Madness, 1931). Talvez seja a mais FC de todas as narrativas que se podem enquadrar dentro dos mitos de Cthulhu e de certo modo se trata de uma desmitificação e uma racionalização destes. A história fala sobre a expedição organizada, obviamente, pela universidade de Miskatonic á Antártida (até então envolta em mistérios, possivelmente a última das terras desconhecidas de nosso planeta) dirigida pelo professor William Dyer. Por trás de uma impressionante cadeia de montanhas mais altas que o Himalaia, Dyer e sua equipe encontram uma cidade gigantesca. Com dezenas de milhões de anos de antiguidade, é anterior ao Homem e á maioria das espécies conhecidas. Seus habitantes, conhecidos como os Antigos, chegaram a Terra procedentes das estrelas quando o planeta ainda era joven.

Particularmente revelador é este fragmento: Como pôde ocorrer uma evolução tão tremendamente complexa em uma terra recém nascida a ponto de deixar marcas profundas em rochas arcaicas parecia tão inconcebível que levou Lake a recordar os mitos primais dos chamados “Antigos” que vieram das estrelas e criaram a vida na terra por brincadeira ou por engano…[31]

Parece que com isto temos já um quadro completo. Vimos a influência de Blavatsky e da Teosofia emLovecraft quando falamos do Chamado de Cthulhu; a influência das histórias de civilizações perdidas e a criação da vida na Terra por seres vindos de outros mundos[32]. Na verdade, é perfeitamente natural que a fusão de todos os elementos se desse exatamente no instante em que se formava a Ficção Científica como gênero e em um autor materialista e ateu que pretendia adaptar a velha narrativa gótica para as novas literaturas.

E tudo poderia terminar por aqui. No entanto, Jason Colavito postula que H. P. Lovecraft, que pegou todas estas ideias como elementos literários com os quais criou histórias sugestivas e mórbidas, foi lido por várias pessoas de forma acrítica, que tomaram suas narrativas como reflexos de uma realidade. Williamson, Pauwels e Bergier, Charroux, von Däniken e muitos outros autores danikeistas levaram a sério ―sempre segundo Colavito― as obscuras, e com frequência contraditorias, referências a deidades vindas das estrelas que criaram a vida em nosso planeta em uma época remota. Sua argumentação está apoiada na comparação de textos e nos claros paralelismos das argumentações dos autores mencionados.

De qualquer forma, a hipótese de Colavito não contradiz a de Wiktor Stoczkowski. Este defendia, lembremos, que as teorias esotéricas dos deuses astronautas eram uma recriação ao estilo pop da Teosofia de Blavatsky, que por sua vez havia nascido dentro da tradição Gnóstica ocidental. Jason Colavito, em todo caso, encontrou certamente o elo perdido da corrente, que não é outro senãoLovecraft.
No entanto, tanto Colativo quanto Stoczkowski parecem ter esquecido aquela que poderia ser a verdadeira peça chave deste quebra-cabeças.


Talvez não tão culpado

Charles Fort e O Livro dos Danados


Em 1919, um jornalista novaiorquino chamado Charles Fort (1874 - 1932) publicou um livro com título sugestivo: O Livro dos Danados (The Book of the Damned). Utilizando uma prosa estranha e intricada e um estilo argumentativo abusivo e obscuro, Fort pretendia mostrar ao mundo toda uma série de fenômenos bizarros sem conexão aparente entre si. Desde a chuva de sapos ao teletransporte. Quase trinta anos antes dos avistamentos de Kenneth Arnold porem na moda o fenômeno OVNI, Fort sustentava que nosso planeta estava sendo visitado ―desde o mais remoto passado― por astronaves alienígenas e coleta avistamentos por todo planeta de aeronaves em forma de dirigível:

Se eu reconheço outro mundo comunicando-se secretamente com alguns habitantes muito esotéricos de nossa Terra, terei que reconhecer também outros mundos tentando comunicar-se com todos os habitantes de nossa Terra, depois amplas estruturas costeando-nos a kilômetros de distância, sem o menor desejo de por-se em contato conosco, como embarcações costeiras cruzando de ilha em ilha sem fazer sua escolha. Depois creio que também terei informações sobre uma vasta construção, que veio numerosas vezes nos fazer uma visita subreptícia, escondendo-se no oceano e permanecendo submersa, depois voltando a partir para o desconhecido. Como você explicaria a um esquimó sobre um navio que viesse buscar provisões de carvão (que são frequentes nas praias árticas, mas cuja existência é desconhecida pelos nativos) e partisse sem a menor tentativa de diplomacia?

É difícil para muita gente admitir que nós podemos não ser interessantes.
Admito que nós temos evitado, provavelmente por razões morais. Porém a ideia de visitantes extraterrestres na China, durante o que nós chamamos o período histórico, não será mais que moderadamente absurda quando a abordarmos.

Admito que vários outros mundos possam ter condições de vida análogas a do nosso, mas acho que alguns são tão diferentes que seus viajantes não poderiam viver entre nós sem mecanismos artificiais de adaptação. Como os visitantes vindos de uma atmosfera densa poderiam respirar nosso ar?

Talvez com máscaras. Como aquelas que se tem encontrado nos sítios arqueológicos. Algumas eram de pedra, e são atribuídas a um traje cerimonial dos povos selvagems. Porém a máscara encontrada en 1879 em Sullivan Country, Missouri...
...Era de ferro e prata![33]

Aquí já se encontra toda a variedade de argumentos que 50 anos depois Erich von Dänikenpopularizaria, incluindo as provas em forma de peças arqueológicos de duvidosa aceitação para a Ciência oficial. Uma década antes de Lovecraft escrever O Chamado de Cthulhu, Fort já havia realizado a mistura da Ficção Científica com as tradições esotéricas de civilizações perdidas que deu a luz aos deuses astronautas. A hipótese de que Williamson, Bergier, Charroux, von Däniken e outros levaram muito a sério a literatura de Lovecraft é ousada e atraente, porém a explicação mais simples é quase sempre a que mais se aproxima da realidade. O Livro dos Danados ―assim como o resto da produção de Fort―, fez sucesso e parece que o livro causou uma boa celeuma e impresionou algumas pessoas. Sprague de Camp afirma que Lovecraft leu Fort[34] e utilizou suas ideias assim como utilizou também as de Blavatsky: como inspiração puramente literária, já que não acreditava em uma só palavra do que diziam uma ou outra.

Foto: Charles Fort (1874 - 1932)

Fort ampliou suas teorias em outros livros posteriores: New Lands (1923), Lo! (1931) e Wild Talents(1932). A revista Astounding Science Fiction, publicou Lo! na forma de uma série em 8 partes quandoTremaine ainda era o diretor. John W. Campbell também leu Fort e lhe deu crédito, mesmo que lhe reprovasse sua falta de método e sua prosa obscura. Sem dúvida, deve ter sido em Astouding queJacques Bergier, compulsivo leitor de revistas pulp, conheceu Charles Fort, o que parece ter inspirado O Despertar dos Mágicos. Certamente também neste contexto Arthur C. Clarke foi inspirado pelas teorias forteanas ―embora, ao contrário de Lovecraft, aparentemente as levasse muito a sério― e as utilizou para escrever "O Sentinela" (The Sentinel, 1953), história que reescreveria em 1968 para o roteiro cinematográfico de 2001, Uma Odisséia no Espaço.

Talvez a tese de que os Deuses Astronautas nasceram dentro da Ficção Científica e passaram ao campo das teorias esotéricas não seja, afinal, tão descabida, embora deva ser contextualizada. Charles Fort era um escritor de Ficção Científica frustrado. Em 1915 escreveu dois romances intitulados X e Y. X tinha um tema inquietante: a possibilidade de que a vida na Terra fosse controlada por uma civilização situada em Marte. A segunda falava da existência de uma civilização maligna na Antártida[35]. Houve uma tentativa de publicação por parte do editor Theodore Dreiser(1871-1945), mas por alguma razão o projeto não foi adiante e Fort decidiu destruir os manuscritos. No entanto, reciclou várias das ideias contidas nos romances quando escreveu O Livro dos Danados. Novamente vemos como Ficção Científica e esoterismo são vasos comunicantes.

Mas talvez, quem primeiro pegou a batuta de Charles Fort foi Eric Frank Russell (1905-1978), um escritor de Ficção Científica britânico que se converteu em um apaixonado forteano. Não somente se limitou a popularizar suas ideias em uma série de artigos, mas também muitas vezes as utilizou em seus romances. Barreira sinistra (Sinister Barrier, 1939)[36] é um romance selvagem e conspiracionista: um cientista, buscando uma fórmula que lhe permita ampliar a visão, descobre que a vida humana é controlada, talvez desde o início da história, por uma raça extraterrestre ―os vitones― que nos usa como fonte de energia. Dreadful Sanctuary (1948)[37] tem tonalidades ainda mais sinistras, já que parte da hipótese de que a Terra é uma espécie de manicômio cósmico aonde vão parar os elementos mais insanos dos diversos mundos do sistema solar ―os brancos procedem de Marte― sendo que os chineses são a única raça nativa.

Concluindo

A modo de epílogo


Os astronautas que visitaram a Terra no passado mais distante para trazernos a vida, a civilização, a cultura ou a tecnologia ―ou tudo isso de uma vez― nasceram como uma teoria pseudocientífica no momento em que a literatura de Ficção Científica já havia popularizado a ideia de que poderiam existir civilizações em outros planetas com tecnologia suficiente para viajar através do espaço e visitar nosso planeta. As velhas lendas sobre civilizações perdidas e as teorias blavatskianas sobre raças pré-humanas que dominaram a Terra milhões de anos antes que o Homem aparecesse sobre ela proporcionaram o conjunto de argumentos, pontos de interesse e provas arqueológicas que hoje em dia tornam reconhecível o danikeismo.

A literatura de Ficção Científica foi o contexto, o crisol, no qual essa fusão se produziu e a revistaAstouding o meio pelo qual se tornou conhecida. Uma vez consolidada, a teoria dos Deuses Astronautas proporcionou uma boa base de inspiração para os escritores de Ficção Científica e não parece descabido pensar que o fluxo de ideias pode ter duplo sentido. O sucesso editorial de Erichvon Däniken nos anos setenta apenas deu novo impulso a uma vasta corrente que já fluía desde 1919.

Curiosamente, a teoria havia nascido nos Estados Unidos, porém foi na Europa onde se desenvolveu plenamente. O italiano L. R. Johannis, pseudónimo de Luigi Rapuzzi (1905 - 1968), escreveu C’era una volta un pianeta (1954) e sua continuação Quando era aborigeno (1955), duas histórias plenamente danikeistas que começam 400.000 anos antes do presente com a luta entre a pacífica civilização marciana e a belicosa rhaniana. A devastação de seu planeta pela guerra obriga aos marcianos a refugiar-se na Terra. A mistura genética com os nativos da lugar a uma nova raça que conhece seu esplendor em Mu e Atlántida. Francis Carsac, pseudônimo por trás do qual se ocultava o prestigiado pré-historiador francês François Bordes (1919-1981) escreveu em 1954 o conto Tache de rouille, cujo protagonista é um alienígena cuja nave cai na Terra no Paleolítico e provoca sem querer a revolução cultural.

Os Deuses Astronautas não aparecem apenas em antigos romances que só podem ser encontrados em sebos, nem são exclusividade da Ficção Científica classe B, mais aventuresca e cientificamente menos exigente. A série de romances conhecida como ciclo dos Ekumen[38] da californiana Ursula K. Le Guin, tem como base a ideia de que todas as raças humanóides que povoam o universo conhecido sã0 descendentes dos Hainish, uma civilização que chegou ao fim depois de haver colonizado dezenas de mundos, o nosso entre eles.

Com o passar do tempo, a teoria se transformou em um dos temas universais que pertenecem ao vasto acervo cultural da Ficção Científica, junto com as Colônias Perdidas, os Impérios Galácticos, as Viagens no Tempo e muitos outros, continuamente alimentados pelas especulações dos modernos esotéricos, herdeiros de von Däniken e Charroux. Talvez muitos dos autores que recorrem ao arquétipo o fazem com o mesmo espírito esteticista e cético com o qual Lovecraft tomou os escritos de Charles Fort, porque é assim que funciona o processo criativo do grande e magnífico crisol que é a Ficção Científica. De qualquer maneira, os Deuses Astronautas gozam de tão boa saúde quanto há trinta anos atrás, em plena febre danikeista, e parece que será assim durante muito tempo.

*Mario Moreno Cortina é escritor
© 2008 Mario Moreno Cortina

NOTAS:
[25] Colavito, Jason. The Cult of Alien Gods: H.P. Lovecraft And Extraterrestial Pop Culture. Prometheus Books. New York, 2006. Não publicado no Brasil.
[26] De Camp, L. Sprague. Lovecraft, uma biografia. Não publicado no Brasil.
[27] Tal e como registra de Camp em sua biografia, os heróis de Lovecraft tem um sistema nervoso mais delicado e tendem a cair paralisados pelo pânico ao mínimo sinal de algo fora do comum. Na verdade, não é necessário ser psicólogo para ver nisto a personalidade do próprio Lovecraft.
[28] Esta referência a Teosofia de H. P. Blavatsky não é casual nem é a primeira em toda a narrativa. Já vimos como Lovecraft utilizou suas ideias como inspiração literária sem acreditar nelas.
[29] Lovecraft, H.P. In The Vault, Talvez publicado no Brasil como Na Catacumba, Revista Meia-Noite, sem data.
[30] Composta por Ela (She, 1887), Ayesha, o retorno de Ela (Ayesha, The Return of She, 1905), Ela e Allan (She and Allan, 1921) e Filha da sabedoria (Wisdom’s Daughter, 1923). Ultrapassa o tema deste artigo detalhar o enredo da série.
[31] Lovecraft, H.P. Nas montanhas da loucura. Editora Iluminuras, São Paulo, 2007
[32] As palavras de Lovecraft são “por brincadeira ou por engano ”, o que é um elemento gnóstico claríssimo, talvez herdado de Blavatsky.
[33] Fort, Charles. O Livro dos Danados.
[34] Op. cit. Pag. 434.
[35] Desconheço se Lovecraft chegou a ter notícia disto; seria interessante comprovar se pôde servir de inspiração para seu conto Nas montanhas da loucura.
[36] Russell, Eric Frank. Barrera siniestra. Editorial Tridente, coleção Pulsar Ficción. L’Hospitalet de Llobregat, 1992. Não publicado no Brasil
[37]Também não publicado em português.
[38] O ciclo dos Ekumen contém algumas das melhores obras de FC já escritas. É composto pelos romances: Rocannon's World (O Mundo de Rocannon), 1966, Planet of Exile (Planeta do Exílio), 1966, City of Illusions (A Cidade das Ilusões), 1967, The Left Hand of Darkness (A Mão Esquerda das Escuridão), 1969, The Dispossessed: An Ambiguous Utopia (Os Despossuídos), 1972, The Word for World is Forest (Floresta é o Nome do Mundo), 1976, Four Ways to Forgiveness (O Dia do Perdão), 1995, além de diversos contos. Recomendo particularmente Os Despossídos e A Mão Esquerda da Escuridão porque são esses os romances que se prendem ao gênero.
Publicado originalmente no site Bemonline


>> Os Deuses Astronautas e a Ficção Científica - Parte I

>> Os Deuses Astronautas e a Ficção Científica - Parte II

domingo, 1 de maio de 2011

Os Deuses Astronautas e a Ficção Científica - Parte II

Reproduzo abaixo a segunda parte de um artigo premiado e publicado no extinto blog http://ahoradosassassinos.blogspot.com. O autor do blog se identificava como "Velho da Montanha", e era fã de Alan Moore. Imagino que o "Velho da Montanha" não se importe da sua tradução aparecer aqui.

O texto foi considerado Melhor Ensaio de Não-Ficção pela premiação Ignotus Winners, em 2009. Título original: “Los dioses astronautas en la ciencia ficción”, (“Astronaut gods in science fiction”), por Mario Moreno Cortina.
Página original: http://www.bemonline.com/portal/index.php/artlos-fondo-36/251-los-dioses-astronautas-en-la-cf

Link com a premiação: http://www.sfawardswatch.com/?p=2454
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Escrito por Mario Moreno Cortina

Traduzido do espanhol por Velho da Montanha



O guru que veio do frio

H. P. Blavatsky e a genealogia do danikeismo

Vários especialistas se dão ao trabalho de refutar as teorias de Däniken, um trabalho árduo que não irei fazer aqui. Um dos mais virulentos em seus ataques é o mágico ilusionista James Randi, em sua obra Fraudes Paranormais. Randi é conhecido por seu compromisso com o movimento cético.

A principal acusação que se costuma fazer a teoria dos deuses astronautas é de racismo e eurocentrismo. Segundo Randi, Däniken :
É simplesmente incapaz de admitir ou conceber o fato de que o homem antigo podia ter visões elevadas e a capacidade técnica e artística para criar a fortaleza Sacsahuaman, as Grandes Pirâmides do Egito e outras maravilhas, sem a ajuda de seres do espaço exterior. Porém em nenhum momento nos convida a observar o milagre da Catedral de Chartres, e o Partenón da Grécia, ou mesmo Stonehenge […] porque essas maravilhas são européias, construídas por pessoas que possuem, sem dúvida, a inteligência e a capacidade para levar a cabo esse trabalho[10].

Essa história não é nova. Em 1871, o arqueólogo alemão Karl Mauch (1837-1875) descobriu as ruínas do Grande Zimbabwe e não hesitou em identifica-las como sendo a mítica Ofir do Antigo Testamento porque não podia conceber que as tribos negras locais poderiam ter construído aqueles monumentos[11]. Pode-se dizer que não há pior cego do que aquele que insiste em ver.

Sem negar a possível influência de um certo preconceito eurocentrista em determinados autores relacionados as teorias dos Deuses Astronautas[12], algo que naturalmente nem sempre é fácil de provar, acho que se trata de uma forma um tanto primitiva de resolver o problema e uma versão pouco sutil do velho argumento ad hominem. Os que conhecem Randi e outros autores vinculados a revista Skeptical Inquirer reconhecerão a primeira vista esse estilo beligerante[13]. No entanto, creio que uma análise mais séria da questão põe em dúvida essa tese. Porque para os danikeistas seria muito difícil tentar demonstrar que o Partenon de Atenas foi construído por alienígenas, já que se trata de um monumento relativamente recente e temos todo tipo de dados sobre como foi construído e por quem. O esoterismo necessita uma certa distância ―espacial e temporal― para apresentar suas provas em um adequado ambiente de mistério. Para isso, nada melhor do que obras de civilizações antigas, como as pirâmides egípcias e maias. Essa é a razão pela qual os fantasmas não aparecem na Porta do Sol a luz do dia.

Stoczkowski ―que, aliás, não descarta o racismo como um dos pilares da teoria dos Deuses Astronautas― propõe uma explicação mais complexa. Segundo o investigador francês, a tradição esotérica dos astronautas da antiguidade é uma terceira via de pensamento entre a tradição do racionalismo científico, nascido no Século das Luzes, e a religião tradicional. Perante a ideia do Homem feito a imagem e semelhança de Deus, as evidências cada vez mais esmagadoras da Ciência foram definindo um panorama certamente perturbador da aparição do Homo sapiens como resultado do acaso e da seleção natural. O conceito de Natureza que Darwin nos deu resulta desolador para algumas pessoas, porque pode ser explicado, pode funcionar sem a presença de um Deus bondoso que teria colocado todas as coisas aos pés do Homem. É como um menino que descobre que veio ao mundo porque a camisinha estourou. No entanto, nem as explicações simplistas do Génesis nem as posições ambíguas das religiões modernas, que se limitam a aceitar a Evolução como um fato comprovado e relegam a Deus o papel de Definidor parecem satisfazer plenamente a todas as pessoas. A teoria dos Deuses Astronautas, diz Stoczkowski, preenche esse vazio.

O danikeismo não nega a evolução e as evidências acumuladas por décadas de pesquisa. Não nega que as espécies se transformam para acomodar-se as necessidades do meio ambiente. Porém pretende salvar o ser humano do terrível destino de haver aparecido por casualidade e como resultado de circunstâncias contingentes. O Homem deve proceder de um destino mais alto e mais nobre: sua linhagem procede das estrelas, porque uma raça milenária manipulou os genes das fêmeas dos símios africanos para produzir uma espécie inteligente. E o destino do Homem, que não procede da lama como o resto da Criação, é voltar a seu lugar de origem: as estrelas.

No filme 2001, uma odisséia espacial, dirigido por Stanley Kubrick em 1968 ―por acaso, o mesmo ano em que apareceu a primeira obra de Däniken―, uma raça alienígena coloca um artefato em forma de monolito na savana africana e ensina a um grupo de australopitecos os rudimentos da tecnologia. Milhões de anos depois, uma expedição descobre na Lua outro monolito, que emite um sinal de aviso: o experimento iniciado tempos atrás obteve sucesso. O roteiro de 2001 foi coescrito pelo próprio Kubrick e pelo escritor de Ficção Cientifíca Arthur C. Clark, baseado em seu conto "O Sentinela", de 1953. Apesar do tratamento estético da história ser radicalmente diferente daquele deRoland Emmerich em Stargate, e 2001 não beber de Däniken (já veremos de quem), a ideia base é a mesma: a intervenção de uma raça extraterrestre no nascimento da inteligência ou da civilização humanas. O que não deixa de ser curioso em um autor que geralmente se identifica com a chamada Hard Science Fiction[14].


Foto: 2001, uma odisséia espacial (2001, Space Odyssey, Stanley Kubrick, 1968). O monolito extraterrestre gerando o nascimento da tecnologia entre os australopitecos

Dissemos que Clarke e Kubrick não trabalharam à sombra de Däniken. Como poderiam ter sido influenciados por uma teoria que surgiu em 1968 com a publicação de Eram os Deuses Astronautas? de Erich von Däniken? A resposta é que Däniken não foi o primeiro a falar de astronautas na pré-história.

Wiktor Stoczkowski investiga em sua obra uma genealogia da Teoria dos Deuses Astronautas, acompanhando o desenvolvimento de numerosos dados e citações que lhe servem de base. Postula que os danikeistas tomaram numerosos elementos da Doutrina Teosófica de Helena Petrovna Blavatsky (1831-1891). Esta ucraniana que emigrou para os Estados Unidos foi a responsável por um dos movimentos esotéricos mais influentes e curiosos da História. A influência de suas ideias chegou a pessoas tão diferentes como Ghandi, Hitler ou o poeta irlandês Yeats. H. P. Lovecraft e Clark Ashton Smith utilizaram essas ideias para criar histórias ―sem na verdade acreditar em uma palavra delas― e elas fazem parte do nascimento e desenvolvimento das teorias racistas alemãs doarmanismo e ariosofismo e de instituições como a Ordem Germânica[15].

É difícil resumir as ideias de Blavatsky ―madame Blavatsky para seus seguidores― em poucas palavras[16], quem estiver interessado em consultar a fonte original, deve ler as duas obras monumentais em que são explanadas: Ísis Sem Véu e A doutrina Secreta, ambas publicadas em português[17]. Blavatsky dizia que seus escritos eram extraídos de um tal Livro de Dzyan, que lhe havia sido revelado. A Teosofia é uma complexa cosmogonia criada a partir de diversas fontes esotéricas procedentes de uma forte raiz gnóstica. Não irei me ocupar agora descrevendo por extenso suas ideias porque essa tarefa sairia por completo do âmbito deste artigo. O que nos interessa é a sua concepção antropogênica. Segundo Blavatsky, a natureza do Homem é dual. Seu corpo mortal foi criado pelos Demiurgos Inferiores e está sujeito a contingência da evolução, porém sua alma imortal procede da divindade e aspira a retornar a ela[18]. Em sua evolução, o homem passará por sete raças matriz, cada uma delas por sua vez divididas em três sub-raças. Nós somos a quinta raça que habita a Terra[19]. Cada uma dessas raças é mais corpórea e menos espiritual que a anterior. Segundo Stoczkowski, a tradição dos deuses astronautas é, de certo modo, uma simplificação da obtusa ideologia teosófica, que descarta os Demiurgos e coloca em seu lugar os alienígenas. Blavatsky e seus discípulos ―e aqui chegamos ao cerne da questão― indicaram diversos monumentos arqueológicos antigos como vestígios das raças matriz do passado. Os danikeistas tomariam grande parte desses monumentos e exemplos e os reutilizariam para provar suas teorias, mostrando-os como evidências da passagem de astronautas extraterrestres pela Terra.

Foto: Helena Petrovna Blavatsky (1831-1891), fundadora da Sociedade Teosófica e autora de Ísis Sem Véu e A Doutrina Secreta. Suas ideias estão na base de muitas teorias esotéricas modernas

Stoczkowski, portanto, opõe-se a opinião generalizada de que a teoria dos Deuses Astronautas nasceu no seio da literatura de Ficção Científica. Esta teria proporcionado uma certa linguagem e uma certa estética, porém não o quadro ideológico principal.

G. H. Williamson (1926-1986), foi um dos primeiros autores esotéricos a popularizar a teoria. Seguidor de George Adamski e um dos primeiros entusiastas do fenômeno OVNI, Williamson dizia ter contato com entidades extraterrestres através de uma mesa ouija[20] e publicou vários livros com uma forte influência teosófica explicando suas teorias sobre a História Antiga[21]. Suas ideias nos são muito familiares: num distante passado da Humanidade, seres de outros mundos visitaram o nosso e trouxeram a civilização a nossos antepassados.

No entanto, a verdadeira popularização chegou em 1960 com um livro chamado O Despertar dos Mágicos, de Jacques Bergier e Louis Pauwels. Esta obra, que foi grande sucesso na época, tratava de diversos temas esotéricos que iam desde os poderes mentais até os Rosacruzes, e incluía uma revisão das teorias de Charles Fort[22] sobre as civilizações desaparecidas. Eram sugeridas diversas evidências da presença de raças extraterrestres no passado da Terra. Ao que parece, ainda que o livro tenha sido assinado por ambos, foi Jacques Bergier (1912-1978) ―um judeu russo naturalizado francês cujo verdadeiro nome era Yakov Mikhailovich Berger― quem desenvolveu as ideias e o conteúdo, limitando-se Pauwels, que era jornalista, a dar-lhe forma escrita. Bergier era fã de Ficção Científica fundou em 1961, junto com Pauwels, a revista Planeta, que foi publicada até 1972.

Foto: Jacques Bergier (1912 - 1978), coautor junto con Louis Pauwels de ODespertar dos Mágicos. Aqui, em uma entrevista concedida no mesmo ano de sua morte

Em 1963, a teoria dos deuses astronautas deu um novo passo adiante com a aparição do livro A História Desconhecida dos Homens - desde há cem mil anos[23], de Robert Charroux (1909-1978). Este escritor francês, muito provavelmente influenciado pela obra de Pauwels e Bergier, exibe a diversidade de teorias sobre astronautas na antiguidade e os monumentos ciclópicos que caracterizam esta literatura. Os livros de Charroux, assim como os outros que vieram antes e após eles, tiveram um extraordinário sucesso editorial alguns anos antes de Däniken publicar seu primeiro título. O autor suíço com certeza conhecia Charroux e menciona quase as mesmas “provas” da existência de visitantes extraterrestres na Pré-história e na História Antiga que Charroux, Pauwels,Bergier e Williamson.

Ainda que não tenha o apelo comercial que possuía nos anos 60 e, principalmente nos 70, a Teoria segue tendo seus defensores nos dias de hoje. Um dos mais famosos atualmente é Zecharia Sitchin(1922)[24], que herdou de seus predecessores legiões de admiradores e inimigos. Na Espanha, o navarro Juan José Benítez (1946) fez eco da Teoria em um livro com um título sugestivo: Los Astronautas de Yavé (1980).

Na última parte deste artigo acompanharemos a gênese da teoria dos Deuses Astronautas nas obras de H. P. Lovecraft e Charles Fort.

Notas:

[10] Randi, James. Fraudes paranormais. Fenômenos ocultos, percepção extrasensorial e outros enganos.
[11] H. Rider Haggard teria em mente as teorias de Mauch quando escreveu, em 1885 As Minas do Rei Salomão.
[12] Como no caso de Robert Charroux, um radical antisemita. Falaremos dele mais tarde.
[13] E com frequência mal educado. Muitos céticos militantes creêm que discutir tranquila e educadamente com defensores do esoterismo ou desenvolver uma argumentação racional sobre suas ideias não serve senão para dar-lhes a oportunidade de vende-las a opinião pública como iguais as dos cientistas. Entendo suas razões e é certo que permitir que determinadas ideias se comparem em um plano de igualdade com as dos cientistas sérios pode ser perigoso, porém se trata (perdão) de uma questão importante. Não me interessa ser mal educado e ponto final.

[14] Sempre me pareceu elegante essa classificação de Clark dentro do Hard. Ou bem a gente adota um conceito de “Hard Science” diferente do que nos foi ensinado, ou eu lí pouco de Clark. Não apenas há um eco da teoria dos deuses astronautas em 2001, uma odisséia no espaço: em As Canções da Terra Distante, é usada a fusão fria no futuro. Menos conhecida foi sua credulidade em relação aos supostos poderes do israelense Uri Geller e seu apoio a investigação sobre diversos fenômenos paranormais como a telecinesia. Aparentemente, Clarke havia lido o conhecido autor esotérico Charles Fort (1874-1932) e foi muito influenciado por ele. Falaremos mais tarde de Fort.
[15] Goodrick-Clarke, Nicholas. Sol Negro: cultos arianos, nazismo esotérico e políticas de identidade". São Paulo: Madras, 2004.
.[16] Para uma visão crítica de H. P. Blavatsky e a Teosofia podem consultar a obra O Babuíno de Madame Blavatsky, de Peter Washington. Editora: RECORD, 2000.
[17] Ambas da Editora Pensamento.
[18] Aqui há uma evidente herança gnóstica na concepção da alma humana como algo caído na matéria e que aspira a retornar ás alturas. Por outro lado, é interessante como o gnosticismo herda das religiões pagãs a criação do homem como um ato de divindades secundárias.
[19] Não seria exagero registrar que, na cosmogonia blavatskiana, o Homem aparece na Terra há 18 milhões de anos. As primeiras raças matriz, incorpóreas e espirituais, não deixaram rastro de sua passagem.
[20] Para os partidários do racismo como explicação para a teoria dos Deuses Astronautas, não resisto a apontar um dado interessante: Williamson contatou com Adamski através de W. D. Pelley, um confesso admirador de Hitler e fundador em 1933 da Legião Dourada da América, uma organização fascista. Parece que inclusive colaborou com esta.
[21] Other Tongues - Other Flesh (1957), Secret Places of the Lion (1958), UFOs Confidential with John McCoy (1958), Road in the Sky (1959), Secret of the Andes (1961).
[22] Ver nota 14.
[23] A História Desconhecida dos Homens – desde há cem mil anos – Robert Charroux, arqueólogo – editora Bertrand – Lisboa.
[24] Não resisto a fazer um comentário. Zecharia Sitchin é russo de nascimento, assim como H. P. Blavatsky, Jacques Bergier e Immanuel Velikovsky ―de quem me ocuparei em outra ocasião―. Não seria exagero rastrear a literatura esotérica russa porque parece haver um certo caldo de cultura nesse país.


>> Os Deuses Astronautas e a Ficção Científica - Parte I

>> Os Deuses Astronautas e a Ficção Científica - Parte III

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Os Deuses Astronautas e a Ficção Científica - Parte I

Reproduzo abaixo a primeira parte de um artigo premiado e publicado no extinto blog http://ahoradosassassinos.blogspot.com. O autor do blog se identificava como "Velho da Montanha", e era fã de Alan Moore. Imagino que o "Velho da Montanha" não se importe da sua tradução aparecer aqui.

O texto foi considerado Melhor Ensaio de Não-Ficção pela premiação Ignotus Winners, em 2009. Título original: “Los dioses astronautas en la ciencia ficción”, (“Astronaut gods in science fiction”), por Mario Moreno Cortina.
Página original: http://www.bemonline.com/portal/index.php/artlos-fondo-36/251-los-dioses-astronautas-en-la-cf

Link com a premiação: http://www.sfawardswatch.com/?p=2454
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Escrito por Mario Moreno Cortina

Traduzido do espanhol por Velho da Montanha



A modo de introdução

A Ficção Científica é um gênero complexo e curioso como poucos por várias razões e a que mais me chama a atenção é a impossibilidade de classifica-la. Não importa o quanto extensa e abrangente seja a definição que se proponha- e tem havido muitas e de grandes autoridades no assunto- , sempre existem subgêneros inteiros que ficam de fora. Evidentemente, isto não ocorre por acaso.Juan Ignacio Ferreras, em seu famoso ensaio La novela de Ciencia Ficción, afirmou que a Space Opera não é Ficção Científica mas sim a enésima reencarnação do velho romance de aventura no estilo Alexandre Dumas, que se recusa a morrer [1]. Outros, em suas próprias definições deixaram de fora as Ucronias, ou o autor Philip K. Dick. É evidente que todos, meio de forma inconsciente, estão definindo mais a sí mesmos do que ao gênero. Em todo caso a imensa maioria das definições que citávamos antes, que podem ser encontradas na internet em uma rápida busca, enfatizam o papel da ciência, do método científico e da razão para construir os mundos fantásticos da Ficção Científica.

Na minha opinião o que ocorre na FC é uma interessante metáfora do pensamento ocidental contemporâneo. O ser humano moderno se acredita filho de uma época racionalista que deixou para trás a magia e a superstição. Geralmente é assim... até que alguém apaga a luz. Ou até que o medo nos paralise. O pensamento racional esta aí, é parte de nossa maneira de conhecer o mundo ao redor. Porém não nos agrada conviver com ele, por que estamos acostumados a obedecê-lo e a deixa-lo governar nossas vidas, mas não a canaliza-lo. Três milhões de anos vivendo nas cavernas contra seis mil de civilização e apenas duzentos anos de Revolução Industrial.

Da mesma forma, o escritor de FC- e sem dúvida também o fã -, gosta de se ver como uma pessoa culta, com uma ampla gama de conhecimentos sobre as mais variadas disciplinas das Ciências Exatas e Humanas. Quando cria suas histórias, aplica toda essa bagagem cultural para explorar novas possibilidades e criar sociedades e tecnologias com a mínima aparência de verossimilhança e racionalidade. Porém, estas são as únicas ferramentas usadas? Não existem outras tradições, outros conhecimentos, outras sabedorias aplicadas nesse assunto?

Alexandrian identifica o momento em que surge essa outra tradição: com a aparição e ascensão social do Cristianismo[2]. Os Galileus ―como eram chamados por Juliano― não se conformaram em ser a principal religião: queriam ser a única. O cristianismo perseguiu não somente a magia e as práticas supersticiosas populares, mas também todas as outras religiões em sua área de influência, até a sua total e absoluta extinção.

Total? Talvez haja exagerado. Toda ação tem uma reação. O esforço dos Galileus para eliminar o paganismo originou uma corrente crítica ―escrevo esta palavra com precaução― e eclética que aglutinou diversas religiões e tradições culturais pagãs da Europa e da Ásia. Alexandrian chama a essa tradição de “Filosofia Oculta”, um termo tão bom como qualquer outro. Trata-se de uma vastíssima corrente contracultural ―também escrevo com precaução esta outra palavra― subterrânea, cujas primeiras expressões foram o Neoplatonismo e o Gnosticismo, que chegaram aos nossos dias e que gozam de boa saúde até hoje. Podemos utilizar o termo de Alexandrian ou podemos falar de Esoterismo, ou de Ciências Ocultas. Não importa, basta que entendam o conceito.
O Esoterismo é o penetra na festa da Ficção Científica. Ninguém afirma ter convidado o cara, mas ele está lá. Ele não vai aparecer nas fotos e todos falarão mal depois que ele sair. Mas mesmo assim, todas as garotas da festa dançaram com ele em uma hora ou outra e todos os rapazes riram de suas piadas e tomaram algumas com o cara.
Aqui vai: o gênero da Ficção Científica é filho tanto da Ciência oficial quanto do Esoterismo. Com a mesma frequência que sentimos a influência neste gênero das novas descobertas e realizações tecnológicas, assim também percebemos a influencia das ideias dos investigadores do paranormal. Não esqueçam que um dos principais responsáveis por este gênero ter alcançado sua maturidade,John W. Campbell (1910-1971), ao mesmo tempo que exigia uma base científica para os contos que publicava na revista Astounding Science Fiction, utilizou a publicação para expandir as recentes teorias da Dianética de L. Ron Hubbard (1911-1986), uma estranha mistura de FC, esoterismo e religião. "Não deixe que tua mão direita saiba que a esquerda lê von Däniken", disse Isaac Asimov.

Bem, na verdade ele não disso isso, mas poderia ter dito.

Foto: John W. Campbell jr., diretor de Astouding (dir), e L. Ron Hubbard, criador da Igreja da Cientologia (esq)
Em outro momento e lugar e com outro enfoque, falei da influência das tradições esotéricas na Ficção Científica e desenvolvi alguma coisa a respeito. Discorrí na ocasião sobre os continentes perdidos. Agora gostaria de acender uma luz sobre outra dessas correntes ocultas que deixaram sua marca na FC. É conhecida como Paleoastronáutica ou Astroarqueologia tanto em círculos esotéricos quanto entre os céticos, sendo mais frequentemente conhecida como a teoria dos Deuses Astronautas.

Deuses, túmulos e sábios
Erich von Däniken e seu legado


Suponho que todos tenham assistido o filme Stargate, dirigido por Roland Emmerich e lançado em 1994. Nele um grupo de arqueólogos descobre nos anos 20 um extranho artefato em Gizé, Egito; anos mais tarde, o professor Daniel Jackson ―famoso por suas opiniões heterodoxas― é chamado para traduzir alguns documentos encontrados junto ao artefato, que se acha agora guardado nas instalações militares de Cheyenne Mountain. Graças a sua intervenção, o objeto é posto em funcionamento e cria um buraco de minhoca, que transporta uma equipe formada por um pelotão de soldados comandados pelo coronel Jack O’Neil, tendo o professor Jackson como acessor. Do outro lado encontram um mundo desértico chamado Abydos[3], dominado por Rá, um extraterrestre que havia possuído o corpo de um humano. A população do planeta fala uma língua derivada do antigo egito e vive completamente subjugada por Rá. Inevitavelmente, o pelotão o enfrenta e o derrota.


Foto: Stargate (Roland Emmerich, 1994) um filme danikeista.

Em um ponto do filme, Jackson decifra alguns relevos nos quais os habitantes de Abydos deixaram registros de seu passado. Então ficamos sabendo como Rá chegou a Terra 8.000 a.C., a beira da morte, e encontrou um mundo rico e habitado. Além de escolher um hóspede humano que lhe permitiria prolongar sua vida, encontrou também mão de obra barata para trabalhar nas minas de Abydos, que enviava através do portal estelar que da título ao filme. Em um determinado momento, os terráqueos se rebelam contra Rá, e ele fecha a porta que interliga ambos os planetas e proíbe a escrita para que o conhecimento do passado se perca.

O sucesso de Stargate deu origem a duas séries de televisão ―Stargate SG1 e Stargate Atlantis―, uma de animação ―Stargate Infinity― e um projeto em andamento chamado Stargate Univers do qual não se sabe muita coisa até o momento em que escrevo este artigo. As duas séries enriqueceram de forma extraordinária o universo conceitual do filme, apesar de Dean Devlin e Roland Emmerich, autores do roteiro original do filme, não reconhecerem como oficiais estas adaptações. Seja como for, no universo de Stargate, as distintas mitologias da Antiguidade (egípcia, grega, escandinava…) se originaram através do contato com raças extraterrestres que visitaram a Terra, e que assumiram o papel de divindades. Como vimos no caso de Rá, não eram sempre deuses benevolentes.

O filme original de Emmerich me surpreendeu por duas razões. Primeiro porque supunha o retorno da Ficção Científica aventureira as telas depois de uma década de ausência. Segundo porque revitalizava as teorias de um pesquisador suíço chamado Erich von Däniken que haviam sido muito populares nos anos 70 e que eu pensava estarem completamente esquecidas. E não poderia ser diferente, pois Emmerich afirmou que teve a ideia original em 1979, lendo um livro de Däniken. Nessa época, seus livros estavam em todas as listas dos mais vendidos e suas ideias eram amplamente discutidas.

Ele ficou conhecido em 1968 com a publicação de um livro chamado Eram os Deuses Astronautas?[4]. Foi o primeiro de uma longa série de best sellers ―que ele continua escrevendo até hoje―, entre os quais estão títulos igualmente populares como De Volta as Estrelas[5] O Ouro dos Deuses[6], traduzidos a todos os idiomas imagináveis e cujas vendas chegam as dezenas de milhões. Sua influência na cultura popular é tão grande que o antropólogo francês Wiktor Stoczkowski, em sua obra Para Entender os Extraterrestres, fala em “danikeismo” para referir-se a tal fenômeno [7].


Foto: Erich von Däniken, autor suíço de várias dezenas de best-sellers que popularizaram a teoria dos Deuses Astronautas

A ideia básica de Däniken é de que seres extraterrestres visitaram nosso planeta no passado, criaram primeiro a raça humana manipulando geneticamente fêmeas de primatas e depois ensinaram a ela a cultura e a tecnologia. Uma vez completado seu trabalho, voltaram ao espaço e jamais regressaram. Segundo o autor suíço, as provas da presença dos alienígenas ―dos deuses astronautas― estão ao nosso redor, na forma de ítens arqueológicos e mitos.

Algumas dessas provas são autênticos ícones da cultura popular, como as linhas de Nazca (Perú), queDäniken interpreta como pistas de aterrisagem para naves extraterrestres e um relevo mayaencontrado em Palenque (México), no qual o suíço vê um astronauta sentado na cabine de sua nave. As estátuas da ilha de Páscoa (Chile) ou a pirâmide de Kéops no Egito ―segundo as palavras de Däniken― são obras de engenharia extraterrestre e se encontram muito além das capacidades dos povos antigos atribuídas pela Arqueologia oficial. As pistas dos astronautas que visitaram a Terra na antiguidade poderiam ser rastreadas também nas armas fantásticas e carros voadores dos poemas épicos hindus, o Ramayana e o Mahabharata, assim como em diversos relatos bíblicos ―como na famosa citação do livro de Ezequiel― e nas dinastias míticas sumerianas.

Também sofreu influência das teorias de Däniken o valenciano Pascual Enguídanos Usach (1923-2006). Este autor de livros de bolso, que assinava como George H. White e Van S. Smith, é conhecido principalmente por ser o autor da Saga dos Aznar, uma série de cinquenta e seis romances escritos entre 1953 e 1978. Trata-se de uma Space Opera clássica que toma a forma de uma história futurista através das aventuras de uma família de militares e estadistas. Na segunda parte da série, escrita entre 1974 e 1978 ―em plena febre editorial danikeista―, os humanos tomam contato com una raça milenária, os bartpuranos, que percorreram o universo no passado espalhando a vida e a inteligência. As principais raças humanas do universo conhecido ―a terráquea entre elas― são fruto de seu trabalho. No romance O Retorno dos Deuses, já muito perto do final da série, os humanos viajam no tempo ocasionalmente até a época da formação da cultura sumeriana e encontram o sacerdote Mu-Rá, mestiço de terráqueo e bartpurano, possuidor de grandes conhecimentos de astrofísica e dos poderes mentais de seus antepassados extraterrestres. Para os sumérios, Mu-Rá é descendente dos deuses, uma ideia plenamente danikeista[8].

No momento do contato, os bartpuranos haviam se isolado em um gigantesco satélite artificial para entregar-se a uma vida mais simples, porém uma rara doença genética os está exterminando e a raça está próxima da extinção. O motivo disso é que as almas dos bartpuranos, após sucessivas reencarnações, estão alcançando a perfeição e ingressando na Dimensão Eterna.

Esta ideia não é de forma alguma estranha ao universo das séries Stargate. Os Antigos, a raça que construiu a rede de portais estelares, também abandonam nosso mundo material ―ascendem, segundo a terminologia da série― e se convertem em seres de pura energia. Estas ideias similares ―em duas concepções diferentes, com certeza― são um legado da literatura esotérica vinculada a teoria dos antigos astronautas.

O filme Missão: Marte (Mission to Mars, Brian de Palma, 2.000) tem, a princípio, um tratamento menos pulp que Stargate e pretende ter uma certa credibilidade em sua abordagem. No entanto, ele nos serve como exemplo paradigmático. O astronauta Story Musgrave foi contratado como acessor técnico para uma história que pretende ter um certo clima de Hard Science Fiction, ou ao menos o mais próximo disso que Hollywood pode chegar. Inclusive, o projeto da missão é baseado em proposta real da Mars Society que pretende enviar um vôo tripulado ao planeta vermelho. Certamente, toda a historia está cimentada sobre as mesmas propostas esotéricas de Stargate.


Foto: Missão Marte. (Mission to Mars, Brian de Palma, 2000). Nesta imagem, a cena em que o rosto de Marte é desenterrado por um violento furacão

A história começa quando a tripulação da primeira expedição a Marte decide explorar uma montanha próximo ao Valles Marineris que poderia abrigar uma reserva de água subterrânea. Quando os astronautas chegam ao local para investigar, notam um estranho ruído saindo da montanha e o atribuem a uma interferência nos seus veículos. A leitura do radar demonstra que no subsolo da montanha existem grandes massas de metal. Neste momento, um pulso electromagnético queima os instrumentos e se levanta um violento vendaval que arrasa tudo e mata a todos os astronautas exceto o comandante, Luke Graham. A medida que o vento vai se acalmando, a câmera nos revela uma construção que estava oculta sob as rochas, agora varridas pelo vento: um gigantesco rosto ovalado de olhos grandes e boca pequena que se assemelha perfeitamente ao arquétipo pop de um extraterrestre. É provável que Brian de Palma não estivesse consciente da metáfora que havia criado nesta cena: o vento alienígena limpa tudo e revela o que havia debaixo, nada mais nada menos que o famoso rosto de Marte[9], um dos mais populares itens da literatura esotérica, utilizado como suposta prova de que no passado existiu uma civilização avançada em nosso planeta vizinho.
Imediatamente se organiza uma segunda expedição, que sofre todos os percalços necessários a uma viagem interplanetária para que haja um pouco da boa e velha aventura. Os tripulantes da nave que conseguem chegar a superfície encontram o comandante Luke ainda vivo. Durante todo o tempo ele havia ficado sozinho, Luke se dedicou a investigar o ruído procedente do rosto de Marte e havia chegado a conclusão de que este contem informações sobre o DNA humano.

O que acontece depois poderia ter saído de um dos livros de von Däniken e embora seja a parte mais fraca do filme é a que mais nos interessa: os astronautas se dirigem até o rosto de Marte e conseguem chegar até o seu interior, onde existem condições atmosféricas terrestres. Lá encontram um grande modelo holográfico animado de nosso sistema solar. Surpreendidos, vêem Marte tal como foi há milhares de milhões de anos atrás, um mundo habitável (e habitado) como a Terra. A animação mostra como um grande meteorito atingiu o planeta e os marcianos se viram obrigados a emigrar. Não sem antes haver semeado a vida na Terra, até então completamente erma.

Missão Marte é um filme fraco em em muitos aspectos, sendo o mais patente esse final tão água com açúcar que chega a ser entediante. É óbvio que o que nos interessa é a persistência das ideias danikeistas na FC, neste caso em um filme que se presumia ter uma sólida base científica.

Notas:

[1] Ferreras, Juan Ignacio. La novela de Ciencia Ficción. Siglo XXI. Madrid, 1972
[2] Alexandrian. História da Filosofia Oculta. (Edições 70, Lisboa, s/d).
[3] O nombre Abydos já debveria situarnos no contexto. Abydos é o nome de uma localidade egípcia mencionada frequentemente pelos pesquisadores danikeistas, devido a alguns hieroglífos achados em seu templo. Para maiores informações consultem o site: www.fraudesparanormales.com.
[4] Däniken, Erich von. Eram os Deuses Astronautas.
[5] Däniken, Erich von. De Volta as Estrelas .
[6] Däniken, Erich von. O ouro dos deuses.
[7] Stoczkowski, Wiktor. Para entender a los extraterrestres. Acento. Madrid, 2001.
[8] Para que não reste nenhuma dúvida, Enguídanos fez uma pequena homenagem a seu inspirador no romance Vinieron del futuro, dando o apellido Däniken a um tenente alemão.
[9] O conhecido “Rosto de Marte” é uma estrutura geológica da região de Cidonia fotografada pela primeira vez pela missão Viking 1 em 1976. Fotografada mai recentemente pelas cameras muito mais potentes da Mars Global Surveyor, seu caráter natural e não artificial havia sido plenamente demonstrado quando da estréia de Missão: Marte. Por isso se fez necessária a cobertura de rochas que aparece no filme.


Na segunda Parte deste artigo, conheça as origens da Teoria dos Deuses Astronautas nas obras de Helena Blavatsky, Charles Fort, Jacques Bergier e H. P. Lovecraft.


>> Os Deuses Astronautas e a Ficção Científica - Parte II

>> Os Deuses Astronautas e a Ficção Científica - Parte III

terça-feira, 1 de março de 2011

Sébastien Auguste Sisson

http://familiasisson.wordpress.com/biografias/a-historia/
"(…) a melhor contribuição de Sisson a nossa incipiente caricatura é sem dúvida a página dupla central do numero 15 de outubro do mesmo ano de 1855, dedicada ao Namoro, Quadros ao Vivo, por S … o Cio. Trata-se evidentemente da primeira história-em-quadrinhos aparecida no Brasil e mostra, em deliciosas cenas cheias de graça e pitoresco, as diversas fases do namoro no Rio daqueles tempos recuado.", por Herman Lima, em História da Caricatura no Brasil, 1963, volume I, página 94.

A informação também consta da Edição Especial do Jornal da ABI - Associação Brasileira de Imprensa, que você pode encontrar em: http://hqpoint.blogspot.com/2011/02/jornal-da-abi.html

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Editar quadrinhos dá lucro no Brasil sim!

Uau! E como dá lucro!!!! R$ 27 milhões em 2 anos! Caramba!

NaMaria: Desde 2004, PSDB paulista gastou R$ 250 milhões com a mídia (quase tudo sem licitação)
por Conceição Lemes

"NaMaria – (...) Mas o mais intrigante desse projeto são as compras denominadas “materiais de apoio pedagógico”. Por exemplo: dez contratos [2008-2010] de revistinhas da Turma da Mônica (e Cascão), da Panini, que custaram aos cofres públicos de São Paulo quase R$ 27 milhões, sendo um deles de R$14 milhões numa tacada."

PANINI BRASIL LTDACONTRATO / LINK D.O.VALOR
90.000 unids. Almanaque do Cascão, 90.000 unids. Almanaque da Mônica~ 15/0134/08/04 ~ 29/mar/2008561.600,00
9.000 Assinaturas Revista da Turma Mônica~ 15/0135/08/04 ~ 29/mar/20081.422.900,00
103.092 avulsas: 51.546 Almanaque do Cascão e 51.546 Almanaque da Mônica~ 15/0695/08/04 ~ 29/mai/2008321.647,04
5.155 Assinaturas Revista Turma da Mônica~ 15/0694/08/04 ~ 12/ago/2008815.005,50
?? Livros títulos diversos ficção e não-ficção para 2ª, 3ª e 4ª do Ciclo I~ 15/1045/08/04 ~ 14/out/200847.946,30
57.310 assinaturas da Revista Turma da Mônica~ 15/0147/09/04 ~ 2/abr/200914.277.067,20
34.938 assinaturas Turma da Mônica Jovem e 279.504 unids. avulsas nº 1 ao 8 Turma da Mônica Jovem~ 15/0146/09/04 ~ 17/abr/20094.373.538,84
195.749 unidades Almanaque do Cascão e 195.749 unids. Almanaque da Mônica~ 15/0148/09/04 ~ 17/abr/20091.291.943,40
11.295 assinaturas da Revista Turma da Mônica0, sendo 5 exemplares por classe de 1ª série - CEI.~ 15/0502/09/04 ~ 6/ago/20092.344.842,00
392.000 avulsos do Almanaque da Turma da Mônica (196.000 do Cascão, 196.000 da Mônica)~ 15/00549/10/04 ~ 23/jun/20101.332.800,00
TOTAL26.789.290,28




Fonte: http://www.viomundo.com.br/denuncias/serra-psdb-educacao-midia-acoes-entre-amigos.html

Tradução DESAGRADÁVEL da Panini

A coisa explodiu de vez. As traduções vão mesmo de mal a pior... A mancada foi parar no Luis Nassif Online, colunista que já foi membro do conselho editorial da Folha de S. Paulo:

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-politizacao-de-batman

"A Panini considera o termo “petralha” como uma gíria que vem se popularizando no Brasil, e independente da origem do termo, não é mais utilizado no linguajar popular apenas com conotação política, mas como sinônimos para asqueroso, nojento, etc. A empresa ressalta que não tem qualquer intenção de utilizar seus produtos editoriais de entretenimento para fins políticos." - atribuído ao usuário diretor de Marketing e Comercial da Panini, Marcio Borges.

A Mythos é ainda pior:

"Acabei de descobrir que não é a primeira vez que o povo da Mythos apronta na tradução. Em TEX Gigante, por exemplo, houve uma baita polêmica por Tex ter chamado um negro de “macaco”, e o coitado do ranger foi esculachado como racista. Qual não foi a surpresa ao ver o original italiano e descobrir que racista é o tradutor (e o editor que deixa uma barbaridade dessa acontecer,novamente DVL, será coicidência?)" - atribuído ao usuário Nano Falcão.

http://www.miolos.com.br/forum/viewtopic.php?f=13&t=2929&p=183875#p183875

O fórum Miolos é o verdadeiro ponto de origem da questão, com início dos comentários datando de 15 de janeiro de 2011.

...................................................


Mas a verdade seja dita, essas traduções já perderam o sentido original faz tempo. Na edição mais recente de Watchmen, enxertaram palavrões como PORRA, BICHONA e TESÃO sem corresponder a intenção original do autor.

Na página 16 do capítulo 1, o freqüentador do bar diz ao violento Rorschach "PORRA a gente não sabe... deixa o cara em paz, pô...". Isso lá são modos para se falar com um cara que acabou de torturar alguém num bar? Que audácia do camarada, não é mesmo! No original lê-se "PLEASE... please, we don't know... aw, god, man, leave him alone...". Não há audácia, o freqüentador do bar está apavorado. Mudou o sentido.

O equivoco se estende por toda a edição.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Leitor brazuca e políticas de preços

Sérgio Figueiredo conta mais novidades da Abril em chat
Por Sérgio Codespoti e Sidney Gusman em 18/12/2001
http://www.universohq.com/quadrinhos/n18122001_03.cfm
“Universo HQ: Como ficará o preço das revistas?
Sérgio Figueiredo: Nós vamos ter o preço mais competitivo do mercado brasileiro. Todas as revistas de linha da DC serão mais baratas do que as da Marvel. Teremos o preço mais competitivo do mercado. Você vai poder comprar muita coisa. Garanto. Mas, por enquanto, a linha continua custando 10 reais, o que não é caro, proporcionalmente. Por favor, compare com as outras revistas em quadrinhos da praça.”


O leitor brazuca de HQ é assim:
Por ??? - sem data
http://www.mundohq.com.br/site/detalhes.php?tipo=19
“Ao contrário do que se imaginava, o público consumidor de HQ´s não sai por aí comprando centenas de revistas e também não paga muito pelos exemplares - 46,6% pagou no máximo R$ 10,00 por um exemplar”

- A página do Mundo HQ fornece ainda dados da pesquisa que revela quem é o leitor brazuca de HQ: http://www.mundohq.com.br/site/detalhes.php?tipo=19 - Pesquisa realizada sob supervisão do professor Victor Trujillo, da Esamc, durante o I Festival de HQ e Universo Fantástico.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Comentário sobre o "atraso" brasileiro

Entrevistas: Quadrinista OFELIANO DE ALMEIDA
por José Carlos Neves
http://www.alanmooresenhordocaos.hpg.ig.com.br/entrevistas184.htm

“Os grandes centros publicam quadrinhos para dominar o mundo, nós os traduzimos para sermos dominados. Sinceramente, não vejo atraso no Brasil: a qualidade gráfica é das melhores e temos produção e artistas que se colocam com destaque em qualquer parte. As HQs de Maurício de Souza são 10. O XAXADO do Cedráz conquistou alto nível. Os mangás de Marcelo Cassaro só são fracos porque se melhorar de qualidade seu público deixa de comprar. COMBO RANGER é fenômeno de visitação no site. O APOSENTADO, de Silvério, tem uma legião de fãs há 16 anos. A revista carioca MOSH mal surgiu e está causando polêmica e apontando caminhos. A pobreza fica por conta das tristes tentativas de vender pastiches de personagens que já conquistaram antes o mercado. Coisa de colônia, vício de gente perdida. Mas volta e meia vemos lançamentos fortes, como QUEBRA-QUEIXO, SANGUE BÃO ou mesmo LEÃO NEGRO.

O problema é o despreparo das grandes editoras, que se negam a investir na formação de equipes de produção, como o fazem as estrangeiras. Nossas editoras se acomodam no sucesso fácil, só publicando o que já fez sucesso lá fora, já tem mídia feita, merchandising e tudo. Os japoneses fornecem os desenhos animados de graça às nossas emissoras, pois fortalecerão a venda de produtos do personagem/marca. No GLOBO, recebíamos um salário mínimo e meio para entregar 30 tiras/mês, nem sei como conseguíamos, só muita paixão mesmo. Na França, na Bélgica, no Japão, nos EUA faz-se HQ para dominar o mundo, no Brasil reduplica-se a dominação. A evasão de talentos é frequënte, desde Gerônimo Monteiro e André Leblanc, passando por Sérgio Macedo, Leo e Deodato Filho, até o caso recente do premiadíssimo Marcelo Gaú. Osamu Tezuka, de passagem no Rio, 1985, ficou impressionado com a diversidade de estilos e a qualidade nos desenhos.”

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Por que o brasileiro lê pouco?

O recorte saiu na revista Super-interessante. Fonte das informações: Instituto Pró-Livro, Centro Regional para el Fomento del Libro en América Latina, el Caribe, Espanha y Portugal (CERLALC). Fala sobre habito de leitura no Brasil e faz algumas comparações.

Clique na imagem para ampliar.

domingo, 22 de agosto de 2010

Será Possível???

Uma lorota interessante rolando pela internet afirma que tem um tal de "Máscara Branca" atuando em Niterói. Confira aí embaixo para rir um pouco!

Idoso é salvo de ser espancado em Niterói, por um Super Herói…
29/05/2010 por tvnaarea


Mais uma em Niterói. Um Idoso que fazia compras para a sua família no Super Mercado foi salvo por um ser que usava uma mascara de super-heroi, isso mesmo que você leu um Homem que usava uma mascara de super-heroi, tudo começou quando o Idoso fazia compras e na hora que ele entrava entrando no carro vinha dois homens assaltar ele mais do meio do nada veio um Homem mascarado de mascara Branca que segundo João (Idoso), o Herói Lutava muito e conseguiu bater nos dois bandidos como se fosse nada para ele, João Perguntou ao Herói Mascarado: quem é você? e ele Respondeu: sou o Mascara Branca!

Os dois bandidos fugiram na hora que ele foi embora, eles ainda não foram identificados.

Será um SUPER HERÓI?

Fonte: Coisas Inacreditáveis

http://tvcontacto.wordpress.com/2010/05/29/idoso-e-salvo-de-ser-espancado-em-niteroi-por-um-super-heroi/

http://www.portaladtv.com.br/?p=51569

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Recortes e desabafo

Quem sabe ler?
Por Maldoror em 16/4/2007
http://www.overmundo.com.br/overblog/quem-sabe-ler
“Argentina, Uruguai e Chile, por exemplo, consomem, proporcionalmente, mais livros e jornais que os brasileiros. Uma comparação com esses países pode ser útil para encontrar pistas sobre as origens da falta de leitura no Brasil, mais do que analogias com outras realidades ainda mais distantes, tanto geográfica quanto culturalmente, da nossa.
[...]
Segundo o Anuário Editorial Brasileiro, do Grupo Editorial Cone Sul, o Brasil inteiro, onde vivem cerca de 170 milhões de pessoas, tem apenas 2008 livrarias, o que dá, em média, um estabelecimento para cada 84,4 mil brasileiros! Uma única cidade européia, Paris, tem duas mil livrarias. A Argentina, antes da crise, tinha mais de 950 livrarias (para uma população de 37 milhões de habitantes). Em dois anos, a crise fez fechar 250 desses estabelecimentos. No Brasil, muitas cidades, inclusive no Rio Grande do Sul, não possuem uma livraria sequer. A Câmara Rio-Grandense do Livro e o Clube dos Editores divulgaram há três meses que 75% das cidades gaúchas não têm pontos de venda de livros. A situação é ainda pior em estados do Norte e Centro-Oeste. Roraima, Tocantins e Amapá têm, cada um, apenas duas livrarias em seus vastos territórios. Na Região Norte do Brasil, há apenas uma livraria para cada 215,3 mil habitantes. Sul e Sudeste estão um pouco melhores. Na Sudeste, a média é de uma livraria para cada 64,2 mil pessoas, enquanto que, na Sul, a média é de uma livraria para cada 56,7 mil habitantes.”

Tentei comprar o album El Eternauta, com umas 350 páginas ao preço de 40 pesos argentinos, que valem menos de 18 reais. Um bom preço! Mas devido às condições de pagamento, via Western Union, e valor dos correios, a compra fica impraticável.

Western Union promete a facilidade de você efetuar depósito em reais no Banco do Brasil e a pessoa receber em pesos na Argentina. Mas no Banco do Brasil me informaram que a brincadeira custa vinte dólares + 1% do valor da operação.

O resultado final foi a minha compra de 17 reais se transformar em um tormento de 40 pesos (18 reais) + 100 pesos (45 reais) + $20,00 (35 reais) + incerteza em relação a entrega (caguei para os 1%). O risco ficou muito alto.

Saiba mais sobre El Eternauta em:
http://impulsohq.com/realidade-alternativa/las-historietas-el-eternauta-parte-1/#more-13992

Divirtam-se com El Eternauta dando um zocotroco nos heróis Marvel!
http://www.psicofxp.com/forums/comics-y-animacion.35/592484-batman-vs-eternauta-grand-finale-grand.html

sábado, 17 de abril de 2010

"Veja que diferença brutal!"


O comentário abaixo é muito curioso, e merece atenção especial, pois parece revelar a verdadeira mentalidade que rege a política de preços no Brasil, não só em relação aos quadrinhos, mas de uma maneira geral. Ela é a declaração pública e oficial de um empresário justificando tranquilamente a sua política de preços após receber criticas de seu suposto público alvo.

Editor da Panini Comics explica mudanças e rebate críticas de leitores
Helcio de Carvalho concede entrevista exclusiva ao Omelete
Por Érico Assis em 13/04/2010
http://www.omelete.com.br/quadrinhos/editor-da-panini-comics-explica-mudancas-e-rebate-criticas-de-leitores/
“Helcio de Carvalho: É só colocar na ponta do lápis que qualquer um pode ver isso. Tanto a Marvel quanto a DC Comics aumentaram recentemente o valor de suas revistas, as quais têm apenas 36 páginas (incluindo as capas), podendo chegar a U$ 3,99, o que, convertido pela cotação mais baixa do dólar, daria por volta de R$ 6,95. Detalhe: são apenas 22 páginas de quadrinhos! Uma revista mensal da Panini como Superman, por exemplo, passará a custar R$ 6,50, apresentando 3 histórias. Se um leitor comprasse três revistas importadas, teria que desembolsar R$ 20,85. Veja que diferença brutal! Então, sim, os leitores saem ganhando com isso.”

A alienação fica por conta da absurda comparação. Mas se é para comparar, então vamos comparar: o salário mínimo nos EUA é de US$7,25 por hora trabalhada. Por lá quem trabalha 8 horas diárias durante 25 dias do mês ganha US$1.450,00. A conversão aproximada ficaria em algo próximo aos R$2.545,00.

Se alguém tiver curiosidade de olhar num mapa poderá perceber rapidamente que o Brasil não fica em Miami. Aqui o salário mínimo é de R$ 510,00. Quando convertido para dólares fica em aproximadamente US$290,47, o que deve equivaler para algo próximo a uma semana de trabalho em Miami. É só colocar na ponta do lápis que qualquer um pode ver isso: http://www.financeone.com.br/conversores.php

E pensar que o salário mínimo já foi de Cr$4.639.800,00, uau! É longo até para pronunciar! Confira os valores do salário mínimo no Brasil ao longo do tempo para rir ou chorar: http://www.portalbrasil.net/salariominimo.htm

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Recortes: Gibis pela hora da morte


Super-heróis a peso de ouro
Com a segmentação do público, os quadrinhos de luxo, incluindo os super-heróis, estão cada vez mais caros - e o cenário parece irreversível.
Por Marcelo Naranjo em 22/07/2009
http://www.universohq.com/quadrinhos/2009/Heroisdeouro.cfm
“O que é fato é que quadrinhos, faz tempo, deixaram de ser uma diversão barata. É raro um leitor não reclamar dos preços praticados por esta ou aquela editora, algumas que nem estão mais no mercado, caso da Opera Graphica, que era uma das mais criticadas.”

Editor da Panini Comics explica mudanças e rebate críticas de leitores
Helcio de Carvalho concede entrevista exclusiva ao Omelete
Por Érico Assis em 13/04/2010
http://www.omelete.com.br/quadrinhos/editor-da-panini-comics-explica-mudancas-e-rebate-criticas-de-leitores/
“Gibi mais barato, mesmo com menos páginas, vende mais? E por quê?
Helcio de Carvalho: A maioria dos leitores já deixou bem claro que compraria mais se as revistas fossem mais baratas.”

Entrevista: Helcio de Carvalho e a "revolução editorial" da Panini
Por Eduardo Nasi em 15/04/2010
http://www.universohq.com/quadrinhos/2010/n15042010_10.cfm
“Helcio de Carvalho - Existe uma frase em neurolinguística que diz: "mesmos caminhos levam sempre aos mesmos lugares". Em um mundo cada vez mais veloz e dinâmico, quem segue sempre os mesmos caminhos está fadado à estagnação.”

Superempreendedores Brasileiros na XIV Bienal do Rio de Janeiro
Por Fábio Azevedo em 12/09/2009
http://www.ogerente.com.br/novo/colunas_ler.php?canal=8&canallocal=29&canalsub2=95&id=2620
“No Brasil o mercado editorial de quadrinhos ainda engatinha. Pois poucos “visionários” entendem a amplitude deste universo, que ainda está virgem por aqui. Mas como diria o poeta, “toda grande jornada começa com o primeiro passo”, e sei que, vários outros “loucos visionários” estão comigo nesta caminhada.”

quarta-feira, 17 de março de 2010

Recortes sobre mentalidade e ação

Apostando no autor brasileiro
Por ROBERTO GUEDES
http://guedes-manifesto.blogspot.com/2010/01/apostando-no-autor-brasileiro.html
“Evidente que não basta apenas dominar o claro-escuro, a perfeição anatômica, e as angulações excitantes. Na verdade, não vai adiantar nada o pretendente ao estrelato desenhar mangá, cartum, ou ser cópia-carbono do “artista quente” do momento, se não tiver o mínimo de bagagem cultural.”

E a Lei para o Quadrinho Nacional?
Por Gonçalo Junior
http://www.bigorna.net/index.php?secao=guerradosgibis&id=1176871622
“No passado, durante a guerra fria, havia dois inimigos explicitamente polarizados que justificavam a luta dos artistas: os editores e distribuidores americanos com suas máquinas de dominação dos jornais e revistas e, do outro lado, os coitadinhos dos desenhistas e roteiristas brasileiros, sempre vítimas de um sistema esmagador que lhe negava oportunidades - na verdade, historicamente, o que se percebeu e eu já afirmei aqui, foi uma vitimização exagerada e a falta de visão profissional e de competitividade capaz de seduzir os leitores para o lado de cá da trincheira.

[...] Na minha opinião, a questão que poderia ser levantada é deixar essa besteira de lei de reserva de mercado de lado e unir forças para se buscar meios de incentivo à produção e publicação de Quadrinhos brasileiros...”


MATÉRIA: AS TARTARUGAS NINJA - PARTE 1
Por Fabiano da Costa Höltz em 26/12/2006
http://hqmaniacs.uol.com.br/principal.asp?acao=materias&cod_materia=427
“Tendo os personagens principais prontos, os personagens secundários e tudo o mais necessário para uma boa revista em quadrinhos, a dupla ofereceu a sua criação a várias editoras. Todas recusaram. Ninguém acreditou que uma idéia tão absurda pudesse fazer sucesso. Sem o apoio de nenhuma editora, os dois produziram a revista sozinhos, em preto e branco, com a ajuda de um tio de Kevin Eastman, e lançaram no mercado, em 1984, uma singela tiragem de 3.000 exemplares. Logo tiveram que imprimir uma segunda tiragem com 6.000 exemplares, e novamente uma outra com 15.000 exemplares. ”

quinta-feira, 11 de março de 2010

Mais indícios sobre tiragens no Brasil

COLUNA - EDITORIAL DE J.J.JAMERSON: QUADRINHOS NÃO VENDEM POR QUÊ?
Escrito por Jamerson Albuquerque Tiossi em 29/11/2006.

“Dados do site de publicidade da Panini Comics indicam que a tiragem média para quadrinhos Marvel em 2004 foi de 20.000 exemplares e, para quadrinhos DC no mesmo ano foi de 15.000, exceção feita a Novos Titãs e Batman, que também foi de 20.000 cada. Um editor conhecido meu, diz que a Panini deve vender cerca de 40% da tiragem, ficando com um encalhe de 60%. Um outro conhecido, dono de comic shop, diz que a Panini vende cerca de 60% da tiragem. Então fico com o meio termo: 50%.

Isto reduz o universo de compradores para cerca de 10.000 pessoas. Isto quer dizer que 0,005882% da população do Brasil é compradora de quadrinhos. Isto que dizer que a cada 17.000 pessoas no Brasil, uma delas compra quadrinhos. Assim, uma cidade de tamanho médio, que tem entre 50.000 a 100.000 habitantes, poderia fazer de 3 a 6 leitores! Surgem, é claro, os casos à parte. Cada edição é lida em média por duas pessoas, o que elevaria o número para 20.000 pessoas, mas não há dados que informem o fato. Caberia uma pesquisa para se saber o número real de leitores de uma mesma revista e/ou título.”

Recorte extraído de: http://hqmaniacs.uol.com.br/principal.asp?acao=materias&cod_materia=418

terça-feira, 9 de março de 2010

Recorte sobre tiragens no Brasil

Quadrinhos se diversificam e investem em novo público

Distribuição em livrarias, diversificações e presença em eventos não necessariamente ligado a quadrinhos explicam a expansão do público consumidor
Por Guilherme Neto, do Mundo do Marketing, em 27/02/2008.

“A expansão do público, porém, não conseguiu acompanhar tantos lançamentos. “O mercado editorial de quadrinhos teve uma menor vendagem em 2007, devido ao grande número de títulos lançados por diversas editoras”. Alguns quadrinhos, como a maioria dos mangás, têm a característica de produto colecionável que, a cada edição, sofre menores vendagens, uma vez que é difícil um novo consumidor se interessar e colecionar a partir do meio de uma história. Isso acaba gerando tiragens menores durante a coleção, a ponto de que a última edição não tem o mesmo número da primeira. Segundo Sérgio, da Conrad, a variação das tiragens dos quadrinhos da editora é de 5 a 25 mil exemplares. No entanto, não é comum a divulgação de tiragem de quadrinhos, já que não há um número fixo para cada título e edição.”

"Tiragem de mangás da JBC, por edição
30 mil exemplares para títulos quinzenais
50 mil exemplares para títulos mensais e bimestrais

Tiragem de HQs da Conrad
Cerca de 30 mil para títulos distribuídos em livraria
De 5 a 25 mil para mangás distribuídos em bancas
Fonte: empresas"

Extraído de: http://www.mundodomarketing.com.br/8,3479,quadrinhos-se-diversificam-e-investem-em-novo-publico.htm
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