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quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

Avenging Shadow – o primeiro super-herói dos EUA

Por Gabriel Rocha – 26/01/23

Não é possível mais sustentar a versão de que o Superman de 1938 seja realmente um marco inicial para o gênero dos super-heróis nos EUA e para o mundo. Muitos personagens revindicam o fato, no entanto existe um personagem que se destaca como característico e não recebe a atenção devida: é o Avenging Shadow.

Admitindo o conceito que o gênero dos super-heróis é um subgênero da ficção científica, e que adota como características intrínsecas a identidade secreta, o alter ego, o superpoder, e o altruísmo heroico, o Avenging Shadow é, sem sombra de dúvidas, o verdadeiro primeiro super-herói dos Estados Unidos.

Para combater a Rainha Feiticeira Azura, o conquistador Flash Gordon ganha o superpoder da invisibilidade. Se auto-intitula “Avenging Shadow” (traduzido como Sombra Vingativa no Brasil), para manter oculta sua identidade como Flash Gordon. A ação gira em torno do herói ir resgatar seu fiel amigo Khan – o capitão dos homens-falcão, cativo pela rainha feiticeira.

Criado por Alex Raymond em 1935, e publicado em 11 de agosto do mesmo ano, o Avenging Shadow possui o poder da invisibilidade. Apenas uma sombra projetada de si mesmo denuncia sua posição. A invisibilidade é temporária e depende de uma máquina elétrica para lhe dar carga aos poderes. O avançado maquinário é criação de seu amigo cientista, Dr. Hans Zarkov, e usa, em parte, tecnologia alienígena.

O Avenging Shadow teve vida curta. Logo seus inimigos descobrem sua identidade secreta e a máquina de luz que lhe confere superpoder é esquecida. No entanto, o fato é recorrente nas séries derivadas dos quadrinhos de Flash Gordon.

No rádio, o episódio Flash The Avenging Shadow, transmitido ainda em 17 de agosto de 1935, destaca o personagem no título. A invisibilidade retorna na série cinematográfica de 1936, vivida por Buster Crabb, no episódio In the Claws of the Tigron. Os poderes como uma sombra viva estão presentes também nos episódios King Flash e Tournament of Death do desenho animado para a TV, de 1979, The Adventures of Flash Gordon.

É impossível negar que o personagem Flash Gordon pertença ao gênero dos super-heróis, pois tanto sua versão original nos quadrinhos do seu criador, Alex Raymond, quanto nas versões derivadas para o rádio, cinema e a TV replicam essa característica de maneira a consolidar o personagem como detentor de verdadeiros superpoderes.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

A história em quadrinhos mais antiga conhecida

A história em quadrinhos mais antiga da Holanda é uma carta, escrita por Bernhard van Meurs, o Conde de Meurs, sobrinho do duque Charles de Gelre. Na carta, o Conde é prisioneiro e acusa o tio de não cumprir a promessa de pagar o resgate, conforme prometido.

Tratam-se na verdade de duas cartas, a carta da lua de 26 de setembro de 1493, e a carta do queixoso de 22 de novembro de 1493, e em ambas se faz uso de imagens em narrativa visual com artifício de balões.


Não são conhecidas peças com a mesma utilização de ilustrações e texto que sejam mais velhas, e o que torna esta carta especialmente única é o uso de balões. O tamanho dos originais é 62 x 57 cm. Segue uma tradução meia boca, via Google Translate:

"O alto-nascido príncipe, Sir Charles, Duque de Gelderland, Eu deixei Bernhard, jovem conde Meurs saber: desde que eu agora em breve, há dois anos pela persuasão do Vincent bem-nascidos, Conde de Meurs, meu querido avô, aqui ter colocado em cativeiro para o seu culto como refém por uma soma muito grande de dinheiro, qual você está despedido o seu cativeiro, e desde que seu culto prometi a mim mesmo na presença de pessoas piedosas e sua mão sobre ela fez, para me salvar prazo de dois meses após o que se tornar disponível novamente para aqui em pessoa, que então não é que você tem feito, embora eu muitas vezes pedi por escrito ao seu culto e pedi para ser autorizado a ser demitido, mas vós fizestes até agora nenhum movimento, o que é estranho e ultrajante o suficiente para dizer, e o que eu não você esperava, portanto, escrever e lua agora eu posso usar esta carta aberta uma vez por todas, que você de sua obrigação me satisfaz e no prazo de seis semanas de esta carta libertado aqui e descartar fora do meu custo, sem mais demora, se você possui pessoa novamente dentro desse prazo se juntou aqui e trabalhei minha libertação, como eu prometi isso e prometeu batalha lado, então eu não teria que reclamar sobre você. Peronne escrita, na prisão, no dia 26 de setembro. Para sancionar isso eu colocar meu nome pessoal aqui. Anno 1493.

...................................................................

Deve-se saber que este aviso não era para ajudar ou benefícios. Portanto, escrevo, reclamar e desenho como segue.

Nós, Charles, Duque de Gueldres, prometemos entregar Bernhard, jovem conde Meurs, e liberar dois meses depois de voltar ou se juntar a nós nesta prisão.

Aqui vou eu e se misturam, Bernhard, jovem conde me Meurs ao cativeiro, e o Duque de Gelre indo em sua promessa que me fez olhar.

Eu, Bernhard, jovem conde Meurs, escrevo, pregando e queixo-me, que eu sou fora do favor especial como um amigo nascido no penhor de Duke Charles de Guelders refém e cativeiro ter ido para ele nas mãos do Sr. Cordes de tal forma que o duque de Gelderland iria me salvar prazo de dois meses depois, ou se voltaria para o cativeiro, onde a batalha mão, em vez de uma cama, eu prometi e verbalmente prometeu a promessa que não cumpriu, apesar muitos pedidos, até o segundo ano já terminou, então eu também dele com a minha carta aberta lua observou escrito e pediu para tornar-se disponível e para me libertar, como havia prometido e evento muito atrasada, que tudo o que ele tem batido pouco oito e ele tem pouco para atrair, e é por alguém para alienar a maior parte de seu nome de família e que ele era um tal disposição e fraqueza preza, e que a grande lealdade e amizade, que pode ser difícil em outros lugares maiores não foi achado mover para me entregar a ele, e ele finalmente chegou que eu tenho que escrever sobre ele vergonhosa, mal e desonrosa, falando e desenho, por isso peço a todos os príncipes, condes, senhores, cavaleiros e cidades em que posição em que estão, ou notificar duque acima mencionado e chamar a atenção de que sua honra deve se lembrar de manter sua promessa e livra-me, para que eles me ajudaria pobre prisioneiro. Isso eu gostaria de recompensar cada homem um favor em troca. E descrito em Péronne em cativeiro depois de 22 de novembro de 1493."

Saiba mais em: https://www.lambiek.net/dutchcomics/1800.htm

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quinta-feira, 17 de abril de 2014

Ilha real guarda características com as histórias do Espírito-que-anda

Logo na primeira aventura do Fantasma, quando ele enfrenta os piratas de Singh, a residência do herói foi descrita como que localizada no arquipélago indonésio (Índias Orientais Holandesas) . O nome nativo do lugar era Luntok, localizado na costa de Sumatra.

Somente em 1964 surgiu um endereço : "Mr. Kit Walker, Box 7, Morristown, Bengali, África" - assim era o destinatário de uma correspondência de Diana para o Espírito-que-anda. A localidade de Morristown sofreu mudanças, primeiro para Mowiton em 1971, e depois para Mawitaan em 1972. Ainda em 1972 houve nova mudança, agora na grafia de Bengali para Bangalla. Posteriormente a grafia revezava entre Bangalla e Bengalla. A esta altura alguns mapas apareciam localizando Bangalla em diferentes regiões da África.


O Fantasma sempre enfrentando tigres

Ocorre que na África não há tigres na natureza! O lugar onde encontramos tigres e lobos (como o fiel companheiro Capeto) em floresta de vegetação densa é a Índia, e arredores. Talvez por isso o filme de 1996 traga de volta o conceito da ilha oriental, contando com locações na Tailândia para retratar Bengalla e descartando a África como local de morada do Fantasma.

Na verdade, há um lugar único na Ásia que reúne muitas das características originais descritas para localizar a morada do fantasma em suas primeiras aventuras! Trata-se da Ilha North Sentinel, localizada na Baia de Bengala, e próxima de Sumatra. Faz parte do território da Índia, mas é reconhecida como entidade autônoma e soberana sob proteção indiana.


Ilha North Sentinel


Os ilhéus não gostam de visitantes

A ilha é densamente coberta por floresta. Habitada por pessoas que não tem contato com a civilização, a ilha permanece um local intocado até hoje. Descritos como pequenos homens negros, os ilhéus flecharam até a morte dois pescadores que chegaram até lá em 2006. Lembrou-se da tribo dos Bandar?

Em 1605, os mares de Bengala eram assolados por piratas liderados pelo português Sebastião Gonçalves Tibau. O pirata lusitano fundou uma república na Ilha de Sandwip, com cerca de 3 mil habitantes, da qual ainda hoje existem descendentes. A realidade guarda semelhanças com os Singh da ficção?


Clique na imagem para ampliar

Temos então uma misteriosa ilha afastada da civilização, que possui densa vegetação, localiza-se próxima à Índia, habitada por pequenos e temidos arqueiros, numa região chamada Bengala, onde a pirataria era intensa a 400 anos. Um bom número de coincidências!

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Relato sobre quadrinhos no México

Segue uma livre tradução de trechos do texto encontrado originalmente em: http://www.henryjenkins.org/2007/05/ghetto_libretto.html; escrito por Henry Jenkins em maio de 2007. O autor fala de sua experiência com quadrinhos mexicanos, revelando certa segregação cultural que pode ser ainda mais interessante que a própria realidade editorial brasileira. Os Sensacionales são curiosos por sua variedade de títulos e por atingirem altas tiragens - ainda que segregados. Vale a pena estudar mais sobre o tema.

"Libretos Gueto (ou "sensacionales" como são conhecidos no México) são lidos apenas pela classe operária mexicana."
(...)
"...o reino dos Libretos Gueto é provavelmente um grande negócio, pois existem zilhões de títulos diferentes que são impressos em tiragens de 200 mil exemplares a cada semana."
(...)
"Os Libretto Ghetto são distribuídos semanalmente através das bancas de jornal mexicanas e se destacam por seu pequeno formato, forma barata de entretenimento para a classe operária do sexo masculino mexicana. Alguns deles são destinados para o leitor do sexo feminino, e focam mais o melodrama do que as representações de sexo. Hoje, ocorre que os únicos quadrinhos disponíveis no México para as crianças são os comic books importados do norte. Não costumava ser assim."
(...)
"A principal diferença dos Librettos Ghettos com outras expressões da cultura popular mexicana é a experiência de segregação. Isto tem início a partir do fato de que os comic books, em geral, já são um meio segregado no México. Eles são algo do qual as pessoas não demonstram estar orgulhosas de ler."
(...)
"Os Libretto Ghetto incorporam quase todos os problemas sociais que você pode pensar, mas de uma forma muito superficial, não oferecendo nenhuma sugestão para a possibilidade de realmente lidar com eles. Corrupção institucional, a violência doméstica, a segregação social, e exploração de mulheres são temas expostos como dispositivos de roteiro que justificam os comportamentos erráticos de seus personagens. Talvez a razão, pela qual os Libretto Ghetto são rejeitados pelo resto da sociedade mexicana, pode ser explicada pelo fato de seus heróis representarem as pessoas que ninguém quer ser: crianças de rua, prostitutas, camponeses, funcionários, taxistas, policiais e pessoas da classe operária."

sábado, 28 de abril de 2012

Conheça a revista de aventura considerada mais popular da América Latina!

Kaliman, o sétimo homem da dinastia da deusa Kali, é adotado por um príncipe da Índia, e devota sua vida adulta a viajar pelo mundo para lutar contra o mal. Já ouviu falar nesta criação da dupla mexicana Rafael Cutberto Navarro Huerta e Modesto Ramón Vázquez González? O personagem surgiu em 16 de setembro de 1963 como um programa de rádio de grande sucesso, somando-se aproximadamente dez mil horas de gravações.


A publicação periódica em quadrinhos foi iniciada apenas em novembro de 1965 (embora já se houvesse publicado uma série pequena em 1964), e a revista semanal foi vendida até 1991, num total de 26 anos sem interrupção. No México chegou a ter tiragens semanais de até três milhões de exemplares. Estima-se que por toda a América Latina tenha-se chegado a um bilhão de exemplares vendidos!

Por tudo isso, Kalimán é realmente "El hombre increíble"! Este, diga-se logo, é o subtítulo do personagem desde a época do rádio. Ocorre que a Marvel Comics usou mais tarde a expressão “Hombre Increíble” para o título da revista do Hulk, o que acarretou disputas entre as empresas no México. O resultado foi o desaforado uso de vilões da Marvel nas capas das revistas do Kaliman em cores! Como se os mexicanos dissessem aos concorrentes: "ei, nós também sabemos fazer esse seu tipo de jogo". Divertidíssimo!






Visite a página oficial do Kaliman e conheça as histórias antigas em formato PDF (para baixar e ler de graça!!!): http://kaliman.mx/historico/historietas/

O cinema produziu duas aventuras de Kaliman: “Los Profanadores de Tumbas”, filme de 1972, que se passa no Egito, com direito a alienígenas nos tempos remotos e o escambau; e “El Siniestro Mundo de Humanon”, filmado em 1976, cuja ação se passa em selvas brasileiras, onde são feitas macabras experiências genéticas.

-- Assista Kaliman em “Los Profanadores de Tumbas”:


Depois comente sua impressão sobre o herói mexicano!

terça-feira, 24 de abril de 2012

Homem-Aranha Mexicano


A editora La Prensa já publicava "El sorprendente hombre Araña" desde 1963, quando percebeu a necessidade de criar suas próprias HQs com personagens da Marvel. Durante o início da década de 70 a popularidade do Araña era tanta que a publicação já atendia a uma demanda semanal.

No total foram 44 exemplares inteiramente produzidos no México, conhecidas como “histórias apócrifas”. Há uma controvérsia envolvendo a permissão da Marvel Comics para o material publicado, que conta com o roteiro atribuído para Raúl Martinez e a arte para o ilustrador José Luis Gonzáles Durán.


Jim Shooter teria afirmado que a Marvel ignorou completamente a existência dessas histórias mexicanas e que a editora americana nunca permitiu que elas fossem publicadas. No entanto, José Luis Durán haveria afirmado ter na época viajado aos EUA para que seu material fosse aprovado pela “Casa das Idéias”. Assim, a produção teve início no número 123 da revista mexicana e foi prosseguindo alternando-se, de maneira irregular, até o fim da série com o material norte americano disponível.

A publicação terminou em 1973, atingindo até o número 185. A Editorial La Prensa teria parado sua produção por dificuldades econômicas relacionadas com a crise do petróleo daqueles dias, e consequentemente perderam a licença para continuar a publicar material da Marvel.


A sexualidade das figuras femininas se destaca em meio a situações estranhas que quebram com a familiaridade da estética e da narrativa, comum ao padrão da Marvel Comics do período, ao ponto de alguns fãs hispânicos sentiram-se incomodados por não terem as histórias mexicanas relação com o material original da Marvel a que estavam acostumados até então.

É até compreensível que os leitores da época estranhassem mesmo a quebra da continuidade, mas atualmente o material tem um valor renovado entre colecionadores pela peculiaridade e audácia em sua produção.


Já conhecia? Comente!
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