Mostrando postagens com marcador Originalidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Originalidade. Mostrar todas as postagens

domingo, 1 de janeiro de 2017

Carlos Drummond de Andrade e os quadrinhos


Carlos Drummond de Andrade

Manda quem pode. ;) Confira dois poemas de Carlos Drummond de Andrade homenageando as histórias em quadrinhos que gostava de ler:

ASSINANTES

Somos leitores do Tico-Tico.
Somos importantes, eu e Luís Camilo.
Cada um em sua rua.
Cada um com sua revista.
O que um sabe, o outro sabe.
Ninguém sabe mais do que sabemos.
É nossa propriedade Zé Macaco.
Jagunço vai latindo a nosso lado
e Kaximbown nos leva
convidados especiais ao Pólo Norte.
Nossa importância dura até dezembro.
Temos assinaturas anuais.
(ANDRADE, 2006, p.248)


FIM

Por que dar fim a história?
Quando Robinson Crusoé deixou a ilha,
que tristeza para o leitor do Tico-Tico.
Era sublime viver para sempre com ele e com
Sexta-Feira,
na exemplar, na florida solidão,
sem nenhum dos dois saber que eu estava aqui.
Largaram-me entre marinheiros-colonos,
sozinho na ilha povoada,
mais sozinho que Robinson, com lágrimas
desbotando a cor das gravuras do Tico-Tico.
(ANDRADE, 2006, p.247)


O Tico-Tico é considerada pioneira na publicação de quadrinhos no Brasil, e chegou a ter tiragens de 100.000 exemplares por semana! Leia O Tico-Tico na Hemeroteca Digital Brasileira: http://bndigital.bn.br/acervo-digital/tico-tico/153079

sexta-feira, 11 de março de 2016

As vampiras

Maila Nurmi (apresentadora do programa "The Vampira Show", no ar entre 1954 e 1955) processou Cassandra Peterson (apresentadora do programa "Elvira Movie Macabre", com cinco temporadas no início dos anos 80), alegado que Elvira foi uma apropriação de sua personagem Vampira. Maila Nurmi perdeu o processo. O tribunal decidiu que "a "semelhança" significa representação real da aparência de outra pessoa, e não simplesmente estreita semelhança".




Maila Nurmi teria chegado a comentar que Vampira foi baseada num personagem do chargista Charles Addams, publicado na revista "The New Yorker" desde a década de 30... Sim, a Morticia Addams!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Arquivos do Poster X

A foto do poster! Você sabe do que estou falando, pois é fã de Arquivo X, a série de TV da FOX. A foto é de autoria do suíço Billy Meier, um ufólogo que hora assume estar fraudando fotos, e em outro momento atesta a veracidade das mesmas... Eis aí a foto do Billy Meier que teria sido usada para montar o primeiro poster:


Clique na imagem para ampliar.

Ed Ruscha é um artista americano associado ao movimento da Pop Art. De acordo com Chris Carter, o trabalho dele é a fonte de inspiração para a diagramação do poster. Veja uma de suas realizações:


A série mudou a foto do poster depois de uma pendenga judicial. Billy Meier quis ser pago pelo uso da imagem. Parece justo...


O poster em sua primeira versão.


E a versão posterior.

São bem diferentes, não é mesmo! Onde posso comprar o meu?


domingo, 12 de janeiro de 2014

Human Bat, personagem de 1899

John Holloway é um jovem rico irlandês cuja família de nobres é vítima de um crime. Ele então passa a usar um traje escuro com visual inspirado em morcegos para sair a procura de justiça. O herói conta com a ajuda do mordomo da família, faz de uma caverna o seu esconderijo, e usa uma máscara para esconder o rosto. O personagem fez sua estréia na publicação inglesa The Funny Wonder, em março de 1899.



Human Bat, herói da era vitoriana

Uma tradução para alguns trechos do texto datado do final da era vitoriana: ... "ele deve tornar-se uma figura para trazer o sinistro para todas essas pessoas. Um estranho nêmesis que acabaria por se tornar o terror lendário para todos os criminosos (...) ele olhou para a chama da lâmpada a óleo sobre uma mesa. Então ele, sob tensão, virou-se de repente." ... "Quando fez isso, ele viu que era um morcego."... "A criatura pairava sob a lâmpada, e por um instante lançou uma enorme sombra sobre a parede do cômodo." ... "É isso aí! .... Vou me chamar Human Bat".

Lembrou-se de alguma das cenas a seguir?


Batman Ano Um - DC Comics


Batman Origins - DC Comics

A semelhança tem sido apontada por alguns fãs e colecionadores do gênero. O Human Bat poderia ser um antecessor do Batman, personagem da DC Comics, e esta comparação estaria trazendo interesse ao herói centenário.

Mas atenção, o personagem vitoriano não se confunde com um outro Human Bat,criado por Edward R. Home-Gall em abril de 1950:


Human Bat de 1950

O interessante é a idade centenária do personagem vitoriano e a forma como foi retratado. Nenhum dos dois Human Bat foram originalmente publicados no formato dos quadrinhos.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Seguindo os rastros da família do demônio

A originalidade na construção de personagens de quadrinhos do gênero dos super-heróis pode ser observada como uma trajetória do somatório de muitos dos trabalhos realizados anteriormente.

Novamente, vale a pena repetir: Não cabe aqui criar acusações de plágio revestidas do aspecto de denúncias escandalosas (isso além de ser um saco, não acrescenta nada) e nem denegrir a imagem dos personagens de quadrinhos mais famosos, e sim simplesmente seguir os rastros até trabalhos anteriores que podem ou não ter influenciado em maior ou menor grau os heróis atuais.

Então, qual é a relação que une o Daredevil da Marvel Comics ao Batman e ao Ozymadias, ambos da DC Comics?


Black Bat - criado em 1933

O pulp fiction chamado Black Bat Detective Mysteries, publicado entre 1933 e 1934, já trazia em seu título o nome do herói sombrio do interior de suas páginas. Black Bat é normalmente apontado como um predecessor direto do famoso morcegão do DC Comics, o Batman. Já tinha inclusive as estranhas barbatanas no antebraço e a capa com muitas pontas salientes, conforme observamos na imagem abaixo.


Barbatanas no antebraço e capa com pontas

Black Bat é Tony Quinn, que ficou cego após ser atingido por ácido. Quinn passa por uma cirurgia e então descobre que não só pode ver normalmente mas ainda pode ver perfeitamente na escuridão, além de receber uma audição muito nítida, uma sensibilidade maior do tato, e um sentido do olfato melhorado. Se agora você se lembrou do personagem Daredevil da Marvel comics, pode ter em mente que há mais influências para serem somadas ao herói.


Daredevil e Batman

Temos então o Batman e o Daredevil, personagens bem distintos, aparentemente ligados a um ancestral comum. A esta altura você está se perguntando, "está bem, essa eu já sabia... mas e o Ozymandias?" O nome do herói da série Watchmen foi batizado por um Alan Moore inspirado pelo poema “Ozymandias”. Escrito por Percy Shelley em 1818, este é um famoso poema da língua inglesa que foi inspirado em um outro poema da língua inglesa ainda mais antigo! Gostaria de conhece-los? Perdoem a tradução via Google Translate, realizada sem muito esforço.

Ozymandias de Shelley:

Eu encontrei um viajante de uma antiga terra
Que disse:—Duas imensas e destroncadas pernas de pedra
Erguem-se no deserto. Perto delas na areia
Meio enterrada, jaz uma viseira despedaçada, cuja fronte
E lábio enrugado e sorriso de frio comando
Dizem que seu escultor bem suas paixões leu
Que ainda sobrevivem, estampadas nessas coisas inertes,
A mão que os escarneceu e o coração que os alimentou.
E no pedestal aparecem estas palavras:
"Meu nome é Ozymandias, rei dos reis:
Contemplem as minhas obras, ó poderosos, e desesperai-vos!"
Nada mais resta: em redor a decadência
Daquele destroço colossal, sem limite e vazio
As areias solitárias e planas espalham-se para longe.

Ozymandias de Horace Smith:

Em silêncio areia de Egito, sozinha,
Está uma perna gigante, que de longe mostra
A única sombra que o Deserto conhece: -
"Eu sou grande Ozymandias," disse a pedra,
"O Rei dos Reis; esse poderoso espetáculos da cidade
"As maravilhas da minha mão." - a cidade se foi, -
Inútil mas a perna restante para divulgar
O lugar desta Babilônia esquecida.

Gostaríamos de saber, e alguns Hunter pode expressar
Pergunto como o nosso, quando thro 'deserto
Onde London pé, segurando o Lobo em chace,
Ele conhece algum fragmento enorme, e pára de adivinhar
O poderoso porém sem registro de corrida
Uma vez que habitavam naquele lugar aniquilada.


Dois poemas é muito para minha cabeça...

Não é novidade que o personagem Ozymandias (Watchmen) deriva de um personagem chamado Peter Cannon Thunderbolt, herói da Charlton Comics que foi criado em 1966. Mas parece que o mesmo é uma releitura de um outro personagem mais antigo chamado Daredevil, que não é o mesmo Daredevil da Marvel Comics.


Daredevil O original de 1940

O tal Daredevil original era da editora Lev Gleason, e perdeu sua revista para um bando de ajudantes mirins, depois perdeu o traje (com algumas alterações) para o Peter Cannon Thunderbolt, e finalmente perdeu o próprio nome para o demônio da Marvel.


Peter Cannon Thunderbolt ganhou calças!

Além dos nomes, os personagens da Lev Gleason e Marvel Comics também coincidem na existência de um primeiro uniforme amarelo, e o arremesso de um artefato que retorna as mãos. São os respectivos bumerangue e bastão.


Silver Streak Comics nº06 e Daredevil nº01

O Daredevil de 1940 caiu em domínio público e agora ele reaparece com nome Devil na série Project Super Powers, revitalizado por Alex Ross e publicado pela Dynamite. Já o Daredevil da Marvel vai que vai, comemorando 50 anos do “Homem Sem Medo”! O Peter Cannon Thunderbolt andou um tempo na DC, mas teve seus direitos revertidos para seu criador. Já o Ozymandias não dá essa sorte...

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Antes dos Vingadores...

Curioso do processo criativo de formação dos personagens de grande popularidade, e seguindo os rastros até as gerações anteriores, pode-se observar uma trajetória que aponta para o somatório de influências que resultam no paradigma de sucesso.

Vale repetir: Não cabe aqui criar acusações de plágio revestidas do aspecto de denúncias escandalosas (isso além de ser um saco, não acrescenta nada) e nem denegrir a imagem dos personagens de quadrinhos mais famosos, e sim simplesmente seguir os rastros até trabalhos anteriores que podem ou não ter influenciado em maior ou menor grau os heróis atuais.

Capitão América, Thor e Homem-de-Ferro formam o núcleo central dos Vingadores da Marvel em uma receita de sucesso que chegou até ao cinema. Você estranharia ver outro trio reunido em seu lugar?

The Shield, ou Escudo como foi publicado no Brasil, surgiu em janeiro de 1940 nas páginas da revista Pep Comics número 1. Escrito por Harry Shorten e desenhado por Irv Novick, the Shield é considerado o primeiro super-herói com a temática do patriotismo norte-americano. Seu derivado direto, o Capitão América, só apareceria um ano mais tarde. A editora MJL, detentora dos direitos do the Shield na época, logo reclamou que o Capitão América empunhava um escudo muito semelhante ao próprio uniforme do the Shield. Joe Simon e Jack Kirby tiveram que dar nova forma ao escudo do Capitão América para o segundo número da revista, garantindo sua popularidade até os dias de hoje.


Escudos patrióticos - clique na imagem para ampliar

Bozo, the Iron Man, é um robô criado por um cientista doido para cometer crimes. Mas o detetive Hugh Hazzard (no Brasil: Ugo Miller) desativa o robô e decide utilizá-lo como armadura no combate ao crime. Criado por George Brenner, o personagem apareceu pela primeira vez na revista Smash Comics número 1, em agosto de 1939.


Tecnologia de primeira - clique na imagem para ampliar

Há quem diga que trata-se de um precursor do Homem-de-Ferro da Marvel, que surgiu apenas em 1963 e vem evoluindo desde então. Já o Bozo, depois de apodrecer pelos cantos, acabou despedaçado.


Bozo apodrecendo pelos cantos - clique na imagem para ampliar


Bozo sendo despedaçado - clique na imagem para ampliar

Thor, God of Thunder, personagem que surgiu nas páginas da revista Weird Comics número 1 em abril de 1940, editado pela Fox Comics. Grant Farrell é um mortal que recebe os poderes do deus do trovão, mas o personagem vai sofrendo modificações até estar totalmente descaracterizado até a quinta edição. Mas não é o único Thor a preceder ao da Marvel. O Sandman original enfrenta um Thor em 1942, já no traço de Kirby (que criou pelo menos 4 versões do Thor ao longo do tempo). Este retoma o personagem em 1957, repaginado para uma curta história de aventura e terror, agora com o martelo muito parecido com o da Marvel.


Thor por Jack Kirby, em duas versões - clique na imagem para ampliar

Batman enfrenta um Thor em 1959, que é capaz de arremessar o martelo e vê-lo retornar as suas mãos. Capitão Marvel e Príncipe Viking também esbarram com Thor em suas versões próprias. Mas nenhum deles conseguiu ser tão popular quanto o da Marvel, que surgiu em 1963.


Thor de 1940 e Thor contra Batman - clique na imagem para ampliar

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Relato sobre quadrinhos no México

Segue uma livre tradução de trechos do texto encontrado originalmente em: http://www.henryjenkins.org/2007/05/ghetto_libretto.html; escrito por Henry Jenkins em maio de 2007. O autor fala de sua experiência com quadrinhos mexicanos, revelando certa segregação cultural que pode ser ainda mais interessante que a própria realidade editorial brasileira. Os Sensacionales são curiosos por sua variedade de títulos e por atingirem altas tiragens - ainda que segregados. Vale a pena estudar mais sobre o tema.

"Libretos Gueto (ou "sensacionales" como são conhecidos no México) são lidos apenas pela classe operária mexicana."
(...)
"...o reino dos Libretos Gueto é provavelmente um grande negócio, pois existem zilhões de títulos diferentes que são impressos em tiragens de 200 mil exemplares a cada semana."
(...)
"Os Libretto Ghetto são distribuídos semanalmente através das bancas de jornal mexicanas e se destacam por seu pequeno formato, forma barata de entretenimento para a classe operária do sexo masculino mexicana. Alguns deles são destinados para o leitor do sexo feminino, e focam mais o melodrama do que as representações de sexo. Hoje, ocorre que os únicos quadrinhos disponíveis no México para as crianças são os comic books importados do norte. Não costumava ser assim."
(...)
"A principal diferença dos Librettos Ghettos com outras expressões da cultura popular mexicana é a experiência de segregação. Isto tem início a partir do fato de que os comic books, em geral, já são um meio segregado no México. Eles são algo do qual as pessoas não demonstram estar orgulhosas de ler."
(...)
"Os Libretto Ghetto incorporam quase todos os problemas sociais que você pode pensar, mas de uma forma muito superficial, não oferecendo nenhuma sugestão para a possibilidade de realmente lidar com eles. Corrupção institucional, a violência doméstica, a segregação social, e exploração de mulheres são temas expostos como dispositivos de roteiro que justificam os comportamentos erráticos de seus personagens. Talvez a razão, pela qual os Libretto Ghetto são rejeitados pelo resto da sociedade mexicana, pode ser explicada pelo fato de seus heróis representarem as pessoas que ninguém quer ser: crianças de rua, prostitutas, camponeses, funcionários, taxistas, policiais e pessoas da classe operária."

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Seguindo os rastros das aranhas

Você pode até se equivocar e pensar que não, mas a originalidade na construção de personagens de quadrinhos do gênero dos super-heróis não é um sistema hermético. Cada nova criação traz em si a bagagem do somatório de muitos trabalhos realizados anteriormente, e por muitas vezes desconhecidos da geração de fãs seguintes.

“Seguindo os rastros” talvez tome a forma de uma série de pequenas postagens para este blog com o intuito de revelar aos leitores de quadrinhos alguns dos passos seguidos por gerações anteriores de criadores que ajudaram a formar o gênero dos super-heróis tal como ele é estabelecido hoje.

Não cabe aqui criar acusações de plágio revestidas do aspecto de denúncias escandalosas (isso além de ser um saco, não acrescenta nada) e nem denegrir a imagem dos personagens de quadrinhos mais famosos, e sim simplesmente seguir os rastros até trabalhos anteriores que podem ou não ter influenciado em maior ou menor grau os heróis de grande sucesso. Ao buscar entender a trajetória para um ícone de boa aceitação, talvez seja possível desvendar algum aspecto criativo que faz de seu paradigma um diferencial em relação aos que vieram antes sem o mesmo resultado.

Fim da introdução, e então, se você é um fã que compartilha da curiosidade sobre o tema, espero que aprecie a pergunta: Que relação pode haver entre o Homem-Aranha (Spider-man) e a Sociedade da Justiça da América (JSA)?


Sociedade da Justiça da América

A Sociedade da Justiça da América surgiu em 1940, na revista All Star Comics número 03, e tem sua criação creditada para Sheldon Mayer e Gardner Fox. Fato curioso é que o grupo era formado por personagens de propriedade de duas empresas diferentes, a Nacional Comics e a All-American Publications, que mais tarde se fundiram para formar a Detective Comics (DC).

A publicação original da All Star Comics terminou em março de 1951, mas retornou a partir de sua numeração original em janeiro de 1976 – trazendo de volta a Sociedade da Justiça da América para uma nova geração de fãs, após aparições nostálgicas da equipe em encontros com sua derivada, a Liga da Justiça, ao longo da década de 60.

A nova All Star Comics terminou após 17 números, dando lugar ao título All-Star Squadron, incorporando agora também os heróis da Quality Comics Group, comprados pela DC.


Tarantula reformulado

Em All-Star Squadron vemos o retorno de muitos heróis da chamada era de ouro, incluindo também o alter ego de John Law, o Tarântula - personagem criado por Mort Weisinger (que também participou da criação do grupo Sete Soldados da Vitória) em outubro 1941 para a revista Star-Spangled Comics número 01. O Tarântula possuía uma arma que disparava teias, o que lhe permitia balançar entre os prédios, além disso fazia ainda o uso de ventosas para andar pelas paredes. Assim como o Super-Homem era apelidado de homem-de-aço, o Tarântula era chamado de o homem aranha.


Clique na imagem para ampliar a página com o Tarantula original em ação!



The Silver Spider e The Fly X Spider-man


Spider-man por Jack Kirby???

Uma curiosidade a parte é o projeto original de Jack Kirby, recusado pelos editores da época, para o Homem-Aranha da Marvel - este herói foi publicado pela primeira vez em agosto de 1962 na revista Amazing Fantasy número 15. Stan Lee e Steve Ditko recebem os créditos pela criação do Homem-Aranha, fato depois contestado por Jack Kirby, que alegava ter concebido o personagem junto com Joe Simom. Na verdade tratava-se de The Silver Spider, um herói que recebia seus poderes de um anel mágico. O personagem não foi publicado mas, segundo o próprio Joe Simom, teria servido de base para criação de outro herói: The Fly (no Brasil: o Môsca), publicado pela Archie Comics em agosto de 1959.


The Silver Spider por C. C. Beck em 1953


The Fly enfrenta o vilão Spider Spry


The Spider-man por Stan Lee e Steve Ditko

Em 1974 a Marvel Comics surge com outro Tarântula, desta vez um vilão latino que estréia em The Amazing Spider-Man número 134.


Anton Miguel Rodriguez é o Tarântula

Uma última curiosidade fica por conta do fato de heróis pendurados em cordas por cima dos edifícios, com bandidos em baixo do sovaco, já serem vistos por aí desde maio de 1939, mas isso não afastou o impacto visual e a boa aceitação do Homem-Aranha para o público de 1962. Steve Ditko foi mesmo uma boa escolha para o aracnídeo da Marvel.




- Confira uma HQ do Tarântula original, produzida em 1942: http://fourcolorshadows.blogspot.com/2011/04/tarantula-hal-sharp-1942.html

- Veja essa recente homenagem de fãs: http://www.mightycrusaders.net/forum/viewtopic.php?f=1&t=2988

.................................................

A internet tem uma característica que a difere da mídia impressa, e é a facilidade de se produzir alterações em um texto já publicado. Por uma questão de ética, convencionou-se que tais alterações sejam feitas constando da data do acréscimo. Hoje, 18/08/2014, estou trazendo novas informações para este artigo. Essa informações já são de conhecimento de alguns fãs nos EUA, e pode ser encontrada em diversos blogs.

A controvérsia que envolve os direitos autorais do Spider-man, famoso personagem da Marvel Comics, aliada ao fato de que alguns personagens da chamada era de ouro dos quadrinhos caírem em domínio público, favorece à pesquisa por informações sobre as possíveis influências de verdadeiros precursores dos personagens mais famosos dos dias atuais. Feita a introdução, vamos aos acréscimos!

Vimos que Jack Kirby contestou a criação do Spider-man por Stan Lee e Steve Ditko, e disse ter baseado o personagem no The Fly, criação sua em parceria com Joe Simom, tendo o The Silver Spider como protótipo para o herói The Fly. As contribuições de Steve Ditko ficariam por conta do disparador de teias, localizado no punho do herói em lugar da pistola que dispara teias, e na criação do uniforme azul e vermelho.

Já observamos anteriormente que a pistola que dispara teias estava nas mãos do Tarantula, personagem criado por Mort Weisinger, ainda em 1941. Ocorre que em 1942 o Tarantula enfrentou um vilão chamado The Fly. Este vilão se veste de verde, possui um óculos com grandes lentes circulares e asas com nervuras se sobressaem por cima dos ombros, como pode ser visto na imagem abaixo:


Tarantula enfrenta The Fly - vilão de 1942


Outra novidade é a especulação a respeito da aparência do Spider-man de Steve Ditko com a de um outro Spider Man visto em um catálogo de fantasias para helloween (a estranha comemoração do dia de todos os santos que ocorre anualmente nos EUA). O catálogo do fabricante de fantasias Ben Cooper, no ano de 1954, apresentava o interessante item nº865:


Fantasias do catálogo de Ben Cooper - clique na imagem para ampliar!


Outro personagem que vem sendo apontado como possível precursor do Homem-Aranha é na verdade uma mulher. Publicada também em 1941, um mês antes do lançamento do herói Tarantula, a Spider Queen chama a atenção pelos lançadores de fluido de teia localizados justamente sob seus punhos. A heroína teve vida curta, foram apenas três aventuras publicadas na revista The Eagle números 02, 03 e 04.


Spider Queen em ação


Criação dos lançadores de fluido de teia


Talvez o nome Spider Man estivesse em um lugar comum em meados do século XX. Entre fantasias de helloween, vilões dos quadrinhos, aventuras dos pulp fictions, quadrinhos de terror, o imaginário popular parecia estar recheado de aracnídeos almejando a popularidade conquistada pelo super-herói de Stan Lee a partir dos anos 60 - um mérito para ser sempre admirado entre os fãs do personagem!


De heróis a vilões, da literatura ao cinema...


...o palco estava armado


Perdeu tempo lendo, ou valeu a pena? Comente!

sábado, 15 de outubro de 2011

O caso “Black Nova”

Durante processo de falência da Marvel, em 1999, o escritor e editor Marv Wolfman apresentou, uma alegação afirmando ser o proprietário de muitos personagens da editora, incluindo "The Man Called Nova”. Ele alegou que já havia publicado anteriormente um personagem chamado "Black Nova" e que na verdade trata-se de ser o mesmo personagem.

“Black Nova” surgiu em 1967, em duas edições do fanzine "Super Adventures”. Já o Nova foi introduzido por Wolfman no gibi "The Man Called Nova” da editora Marvel, em 1976.



O Judiciário dos EUA comparou o "Black Nova" com "The Man Called Nova”, para ver se os dois personagens podiam ser suficientemente semelhantes. Se fossem semelhantes, o Wolfman seria proprietário dos direitos em disputa, mas se fossem diferentes, então o novo personagem seria propriedade da Marvel.

O tribunal estabeleceu seis fatores para encontrar semelhanças entre os super-heróis: 1- o nome; 2- os poderes; 3- o traje; 4- a história de fundo; 5- a personalidade; 6- e a missão. Os nomes e os trajes são claramente similares, no entanto, o tribunal considerou que as histórias de fundo e os poderes eram bem diferentes, e que o "Black Nova" não tinha claramente sua missão totalmente definida. Não houve análise das personalidades. Isso levou o tribunal a decidir em favor da Marvel - que "The Man Called Nova” era suficientemente diferente de "Black Nova" e devia ser considerado original e não infrator de direitos autorais.

Na opinião de Britton Payne (o autor do texto original), este resultado parece ser baseado em um desejo de resolver o caso de falência da Marvel sem a complicação criada por Wolfman, no lugar de considerar que os dois personagens realmente são substancialmente o mesmo.

Decisões anteriores (“Siegel exception”) determinam que se ocorre a criação do personagem anteriormente a qualquer relação de trabalho com a editora, então não se pode se falar em presunção de trabalho contratado (o chamado contrato “work-for-hire”). Porém, a decisão que saiu em 2000 foi favorável para a Marvel, pois a decisão do juiz diz que: "Ao analisar as semelhanças ou diferenças em personagens de histórias em quadrinhos, o leitor deve tomar conhecimento de mais do que o nome de personagens, poderes e fantasia. O leitor deve considerar a história do personagem de fundo, que inclui a história da origem do personagem e alter ego, personalidade e missão."

terça-feira, 13 de abril de 2010

ARENA nº03 - Redentor x The Skulls


O filme “The Skulls” é uma produção do ano 2000 (ainda soa futurista?). No Brasil é exibido com o nome “Sociedades Secretas”. O filme fala sobre a influência política das sociedades secretas estudantis norte americanas. Na vida real existe a Skull and Bones, e você pode encontrar muita coisa pesquisando a respeito através do Google.


Mas o que isso tem haver com o Redentor, personagem criado pelo Marcos Franco, em 1996? Nada! Ou quase nada... Reparem no cetro dos diretores da sociedade Skull com mais atenção! A semelhança com a arma do herói é notável!




Platão falava do tal mundo das idéias, origem dos arquétipos que servem de base para as estruturas do mundo real. Gosto de pensar que ouve uma conexão comum, muito embora o exame de datas não deixe margem para equívocos, o Marcos Franco se conectou primeiro! ;)

Já havia postado este texto no fotolog, mas aqui tenho mais espaço para as imagens.

Nunca escondi a informação de que o Redentor é o personagem independente do gênero dos super-heróis que acho mais interessante. Para quem não conhece, ele é um caçador de demônios, um exorcista, que usa sua arma para mandar tudo para o inferno!


Redentor e Lagarto Negro se encontram em:

Arena nº03
Selo: Maximus Estúdios
Capa: Alexandre Menezes (cores de Hernández Melo)
Páginas: 28
Preço: R$ 4,00 (color) e R$ 2,00 (preto e branco)
Editores: Edvanio Pontes e Alexandre Menezes
Contato: maximusestudios@hotmail.com ou edvaniosilvapontes@gmail.com

Saiba mais sobre o lançamento em:
http://fotolog.terra.com.br/lixoquadrinhos
http://maximusestudios.blogspot.com/

sábado, 6 de março de 2010

Originalidade

Existe muita discussão sobre originalidade envolvendo os personagens de gênero super-herói no Brasil. É um blá, blá, blá terrível. Há muitos mal entendidos, ânimos exaltados e ‘nerdisse’ na flor da pele.

Talvez o problema esteja no foco da questão. A discussão pode ser melhor apreciada ao ampliar a observação sobre a questão da originalidade deste gênero como um todo.


Uma coisa fica logo muito clara, podemos perceber que os quadrinhos, dos considerados bons aos rejeitados de qualquer natureza, exercem influências uns aos outros. Mas seria isso um problema?


Não acho válido afirmar, por exemplo, que o Marvelman de Alan Moore é ruim por não ser puro e original o suficiente ao sofrer influências de coisas que surgiram antes, mesmo que nem todas essas coisas tenham o mesmo grau de sucesso entre si.

Entendo que a própria originalidade do gênero depende dessa miscigenação de influências para não sufocar sobre si mesmo.


Escolhi o Captain Marvel para ilustrar a matéria, pois a influência que ele exerce sobre outras criações é bem direta, mas o mesmo processo pode ser elaborado com qualquer personagem do gênero.


Não me posiciono contra os personagens americanos, apenas alerto para o erro de depreciar os trabalhos nacionais sob ausência de um critério crítico realmente válido. Não acredito que seja papel de fã verdadeiro depreciar seu objeto de fascínio. No lugar disso, se educar na melhor compreensão dos aspectos que envolvem as criações do gênero.


Lembrando que quem trabalha dentro de um determinado gênero tem que respeitar as características do mesmo. As semelhanças que permeiam os trabalhos de um gênero delimitam as suas fronteiras.

Mesmo a mais decalcada das cópias, se bem trabalhada, pode ser mais interessante que o fruto de uma originalidade mal sucedida (ou até mesmo de uma originalidade bem sucedida, por que não?). Ainda assim, acho difícil citar um só personagem dos quadrinhos, de qualquer autor, qualquer tempo, que não tenha sofrido algum tipo de influência em maior ou menor grau.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...